sábado, 24 de agosto de 2019

Meu bem, meu mal


Estamos chegando à época de Micael. E, nesse momento, somos levados a nos deparar com a reflexão sobre a luta com o dragão.

'Dragão é uma feliz imagem encontrada por Lex Bos para referir-se às ameaças' com as quais nos deparamos que nos impedem ou dificultam realizar o que é necessário.

Por isso mesmo, esta época nos convida a refletir mais sobre nossa coragem para enfrentar as batalhas internas e externas com o mal.
E o que podemos reconhecer como 'mal'?
Como diz uma velha máxima: o mal é o bem no lugar e hora inadequados. E, exemplificando: "imaginemos estarmos lidando com um excelente pianista e um excelente técnico de piano, ambos perfeitos a seu modo. (...) Se, porém, o técnico se pusesse a martelar na sala de concertos em lugar do pianista, estaria então no lugar errado. O Bem se converteria, assim, no Mal." (O Maniqueísmo, R.Steiner)
Por si só, essa, parece ser, uma maneira desafiadora de olhar para o mal.
Por isso trarei outros exemplos, como uma certa história em que um reino vivia ameaçado por um dragão que surgia de tempos em tempos. Como ele já era esperado e temido, trataram de construir abrigos para se proteger das labaredas, que no entanto, continuava  incendiando toda sua produção, impedindo-os de progredir. Surge, então, um valente cavaleiro disposto a acabar com o problema. E, entre as voltas que dá, ele consegue um acordo com o dragão, e a partir daquela data, ao invés de incendiar aleatoriamente, o dragão - que também tinha seus problemas -  focará suas labaredas no lixo do reino, que então vê duas questões solucionadas e depois disso o reino prosperou por muitos e muitos anos.
Além desse exemplo, vamos lidar com aquele conto que diz que um sábio, pede ao seu discípulo,  depois de visitar uma família pobre, que, parcamente, se mantinha  com a produção do leite de sua vaca, que a jogasse no precipício. Algum tempo depois o discípulo volta para verificar a situação da família e percebe que após a 'perda' da vaca, a família buscou novas alternativas e conquistou melhores condições de vida.
Quais são as perguntas que podem surgir dessas passagens sobre o 'mal' ?
Nossa jornada está repleta de desafios a serem transpostos, enfrentados e superados.
A luta entre o Bem e o Mal é uma história muito antiga e, para tornar mais leve, embora não menos profunda, podemos resgatá-la em vários contos, como os de fadas,  e através da leitura ou contação dessas histórias,  darmos a oportunidade para atuar sobre áreas sensíveis do nosso Ser, trazendo o fortalecimento interno, sutil e eficiente, para encarar essas batalhas e superá-las.
Embora nossa maior facilidade seja reconhecer o mal no outro, do lado de fora, nas injustiças que sofremos, para além de nós, não podemos fechar os olhos para aqueles dragões adormecidos no mais íntimo do nosso ser, que embotam nossos sentidos e percepções e sabotam nosso desenvolvimento.
Quando nos colocamos à mercê dos acontecimentos, 'se deus quiser', 'se tiver sorte', 'se o fulano mudar de ideia', 'se beltrana mudar seu ponto de vista', 'se cicrano não tivesse feito'... nos colocamos num lugar impotente, ou seja, sem a potência da transformação. Isso não quer dizer que temos condições de mudar o mundo, mas temos a potencia de transformar como ele chega até nós. Temos a possibilidade de extrair dessas vivências algo que nos fortaleça.
Não vamos fazer de conta que o mal não existe, que forças adversas são fáceis de lidar. E, por isso mesmo, precisamos de coragem para enfrentar esse assunto.
Como podemos fortalecer nossa coragem?
Aprender a lidar com o que há de sombrio em nós para que cada vez estejamos mais corajosos para enfrentar o externo talvez seja a construção que nos torne capaz de pensar o bem, sentir o bem e fazer o bem para criar um mundo com menos violência, menos intolerância, mais respeito, mais solidariedade, mais compaixão, mais amor. 
Afinal, todos ansiamos que essa centelha luminosa e calorosa do amor seja cada vez mais presente e próxima. E somos responsáveis pela criação dessa oportunidade. 

Olivia R S Gonzalez
aconselhadora biográfica, terapeuta corporal e terapeuta floral.

sábado, 10 de agosto de 2019

Despertar e o aqui-agora


O que é estar no aqui-agora?
Acredito que é estar em estado de presença, acolhendo o que o momento traz e se relacionando com o que está se apresentando naquele instante.
A questão, é que muitas vezes estamos de corpo no presente, mas respondendo ao mundo como se estivéssemos presos em emaranhados do passado ou com expectativas do futuro.
Podemos assim, deixar de contemplar novos caminhos, possibilidades não pensadas que estão se manifestando ali na nossa frente, mas que não conseguimos enxergar por estarmos com a mente e o coração em outro lugar.
Creio que o universo pode ser ainda mais criativo do que a gente mesmo. Ele pode nos surpreender trazendo novas formas, não necessariamente a que havíamos programado e imaginado, mas talvez de um outro jeito, que pode ser ainda mais encantador.
A vida nos oferece muitos presentes, se permitirmos, nos dá sinais, brinca conosco através das sincronicidades e vai nos dando pistas, dizendo: vá por ali!
Para trilhar junto com o fluxo da vida é precioso despertar a fé, intuição e a entrega, aprendendo a ouvir aquela voz interna, que não é necessariamente a da razão, dos padrões, e sim aquela que vai dizer o que é importante para a sua jornada, aquela que aquece o coração e alimenta a alma.
Assim o caminho vai se revelando durante a caminhada...
E quando aos poucos aceitamos a impermanência da vida, compreendendo que não temos controle de tudo ou quase nada, vamos despertando para o agora e para o sentir que mora no presente. Quando sentimos, agimos de dentro para fora, a partir da nossa sabedoria interna, despertando para o que é essencial, para o que toca o coração e Ser o que veio para Ser.
Convido, agora, a querida Tatiane Guedes para irmos finalizando a partilha de hoje.  
 “O chão que se vai é justamente aquele que precisa ruir, pois essa base não sustentará o crescimento que está por vir.
Essa rachadura que sentes bem no centro de seu peito é justamente aquela que fará brilhar a luz em ti que teima em sair.
Aceite,
O agora é tudo o que há.
Não resista,
Atravesse esse portal que está a chegar.
Confia,
Você não está só nem nunca estará.
Lembre-se,
Aquilo que Realmente És permanece intacto em ti a cada respirar."
Andressa Miiashiro
Psicóloga, facilito jornadas de desenvolvimento com foco em inteligência emocional e relacional, por meio do Psicodrama, Comunicação Não Violenta e Antroposofia. www.lotustalentos.com.br

domingo, 4 de agosto de 2019

Vamos despertar


Despertar, palavra que usamos normalmente para descrever o ato de acordar todas as manhãs, mas também podemos usá-la em muitos âmbitos das nossas vidas.
Podemos despertar para uma nova realidade, um amor, uma vocação, uma nova capacidade, uma vontade e em muitos momentos da vida.
Mas hoje, vamos falar do verdadeiro despertar interior nos seres humanos.
Hoje vivemos na época da alma da consciência, da plena liberdade, do livre arbítrio, de responsabilidades e consequências, mas ainda sim, muitos homens e mulheres ainda dormem para esta realidade atualmente, todos nós devemos fazer um trabalho interno, diário para esse despertar, não existe mais mestres ou gurus para nos guiarem como em épocas anteriores, e sim na nossa própria consciência desperta para estas vivências.
A Ciência Espiritual através da obra deixada por Rudolf Steiner nos auxilia a desenvolver esse despertar interior, temos que estudar as palestras, os exercícios propostos por ele, e colocá-los em prática na vida social, pois assim podemos principalmente ver o essencial no ser humano, e com isso desenvolver em nós uma nova ordem moral e ética na conduta da nossa vida diária.
Os anjos, hierarquia imediatamente superior ao homem, a fim de nos auxiliar com  esse despertar, permeia o nosso corpo astral com imagens do mundo espiritual, e também nos recorda da nossa missão de vida que nos propusemos entre a morte e o novo nascimento, e isso se dá durante o sono noturno.
Devemos também recordar diariamente que nós somos, na realidade, a imagem do Divino.
Através do trabalho diário com a Ciência Espiritual, ou com a prática de atos morais e éticos permeados de amor, nós iremos conseguir acessar estas imagens que foram permeadas pelos Anjos no nosso corpo astral durante o sono, no período de vigília, e enxergar o divino nas pessoas com as quais convivemos, e no futuro nós não vamos conseguir usufruir de felicidade se outros seres humanos forem infelizes, isto é, nós despertaremos para uma nova ordem social  a fraternidade correta.
Mas infelizmente muitos ainda dormem, mesmo estando acordados, pois fatos importantes da vida passam despercebidos, Rudolf Steiner coloca em sua obra O Anjo em nosso corpo astral   pág. 18 –  “ Já afirmei muitas vezes que os seres humanos, mesmo quando acordados, passam em sono os fatos mais importante da sua vida. Posso realmente assegurar-lhes – fato aliás, pouco reconfortante – que quem passa conscientemente pela vida encontra, hoje em dia muitas pessoas adormecidas.”
Os acontecimentos no mundo ou da nossa cidade ou de pessoas próximas simplesmente não nos tocam, e assim não nos preocupamos, e como consequência, não tomamos nenhuma atitude de interesse pelos outros, ainda que pequena, mas que mudemos algo no nosso entorno, e assim provocando em alguma medida, com relação, como já foi dito acima, do começo da fraternidade correta.
Ainda assim, o Anjo continua atuando no nosso corpo astral plasmando imagens, e aguardando esse despertar para a época da alma da consciência, pois cada indivíduo se encontra em um grau de evolução espiritual, portanto o despertar em todos nós é desenvolvido gradualmente e individualmente.
Diante de um mundo onde as ideias materialistas estão cada vez mais em evidência, parece difícil praticarmos tudo que a Ciência Espiritual nos convida a praticar, mas isto é uma ilusão colocada para nós, se todos os dias nós observarmos a nossa vida, veremos quanto está presente a atuação dos Anjos e do Mundo Espiritual.
A Antroposofia nos convida também a sermos pessoas vigilantes, à prática da observação dos pensamentos e sentimentos, a colocar em nossa vida bons propósitos, para assim adquirirmos a força necessária para esse despertar diário da consciência, para que nada que aconteça na nossa vida seja encarado como obra do acaso, como a Ciência Materialista prega, e vivido em total inconsciência, mas sim, esses acontecimentos são sempre uma atuação correta e direta das Hierarquias Espirituais no sentido de nos aproximar cada vez mais da evolução  de toda a humanidade.
Rudolf Steiner diz na mesma obra acima citada, em sua pág.33 –                              “Podemos começar com atitude de vigília, veremos que, se estivermos vigilantes, não passará um só dia sem que aconteça um milagre. Podemos inverter esta proposição, dizendo que, caso não aconteça um milagre em qualquer dia da nossa vida, será simplesmente porque o teremos perdido de vista.” Esta afirmação nos remete ao verdadeiro despertar para a época da alma da consciência, diariamente.
Busquemos o despertar da consciência diariamente, aquele despertar que nos é dado pela direção espiritual plena de sabedoria, vamos agir com coragem, para que esse despertar não se perca diante das vicissitudes da vida, temos que ter confiança diante de tudo que vier ao nosso encontro, pois sempre será para acordarmos cada vez mais para o Bom, o Belo e o Verdadeiro,  e principalmente e ter a certeza da presença do Mundo Espiritual em nossas vidas.
Era de São Michael
Isto é parte do que devemos aprender nessa época:
Saber viver com pura confiança sem qualquer segurança na existência, a não ser na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade nada terá valor se a coragem nos faltar.
Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites.
Rudolf Steiner

Rita Paula Wey Nunes da Costa

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Tempo de despertar



Entre 'quem sabe faz a hora não espera acontecer' e
'não apresse o rio,  ele corre sozinho'
existe  
 'há tempo para plantar e tempo para colher'.

Essa foi e é uma citação muito significativa para mim, desde os idos anos 80. É verdade, já faz tempo! E, como aquelas coisas que se deparam com conteúdos mais verdadeiros, podemos usá-la ainda hoje. Ela sobrevive ao tempo.
O tempo... essa ideia, convenção, exercício de capitulação para que possamos registrar nossas experiências num determinado período, tem uma interação curiosa com nossa memória, nossa psique, e pode trazer efeitos marcantes nos nossos gestos e condução de vida.
Através do que guardamos na nossa memória - consciente ou inconsciente - vamos moldando nosso futuro que, por uma brincadeira dos deuses!, inicia no presente em que vivemos.
Há quem diga que 'no passado não se mexe, está morto', 'não se pode mudar o que já foi' e há também quem diga que 'no passado dorme a sabedoria para o presente'. Tanta sabedoria corre nesses tempos. Os ditados populares expressam por si, a sabedoria daquelas vivências mais significativas que foram passadas através de gerações....o passado se renovando.
No passado está o que vivemos, nossa história com erros e acertos, nosso processo de aprendizagem para sermos quem somos no presente. Ele merece ser reverenciado e aquecido com nossa memória para que não nos congele nas mesmices de sempre, como uma reprodução daqueles que foram antes de nós, cegamente.
E, recapitular essas vivências pode ser renovador! Através da pesquisa do passado pode-se rever acontecimentos, passagens que foram difíceis e que sob nova perspectiva, um olhar atualizado, pode revelar o potencial para que, de fato, possamos nos tornar quem queremos ser, ou em outras palavras, nos mostrar para quê viemos.  
Podemos despertar para a riqueza que nossos encontros, nossos talentos, nossas experiências nos contemplaram, e a partir disso redirecionar nossas ações para uma condição de vida mais inteira.
Ao nos apropriarmos das vivências que ficaram adormecidas na memória, mas permaneceram vivas nos nossos valores, na nossa conduta, podemos reeditá-las.
Alguns valores atuam em nós  como um vício: um hábito arraigado que nos conduz, ao invés de conduzirmos. Esse é um dos presentes de se resgatar a própria história: se inteirar de si mesmo.
Despertar a consciência para quem somos implica em sondar  a própria história e, a partir disso, poder atualizar o que é significativo, resignificar o que já foi, valorizar capacidades, e despertar, também, nossa vontade para descobrir o que queremos, ou não, vir a ser.

'Vai o bicho homem, fruto da semente
Renascer da própria força, própria luz e fé
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
Somos a semente, ato, mente e voz'
é um trecho da música Redescobrir, do Gonzaguinha, que, poeticamente, nos desperta para o entrelaçamento do tempo e potência que vive em nós.
E aproveitar a possibilidade deste tempo em que existimos se reflete no desenvolvimento de toda uma era. Ao ampliar nossa consciência, o humano se fortalece.
Desperte para a sua história. Desperte-se.

Olivia Gonzalez
Aconselhadora biográfica, terapeuta corporal, terapeuta floral, facilitadora de barra de access.

domingo, 21 de julho de 2019

Vivendo a nossa verdade


No período dos 35 aos 42 anos vivemos o início da crise da autenticidade, fase em que nos reconectamos com a nossa verdade para fazermos escolhas que realmente estejam alinhadas com a nossa essência. Tempo para trilhar novos caminhos e abrir mão de outros.
No 7º setênio, marcado pelos 42 aos 49 anos, experimentamos o auge da crise. A autenticidade surge como um processo de autoconhecimento que nos leva a olhar para dentro a procura de uma bússola interna, que busca nos guiar por caminhos que estejam em sincronia com o que há de genuíno em nós.
Podemos nos movimentar de forma fluida vivendo uma integração interna com o externo, que abre espaço para novas ações e conexões, mas é possível também resistirmos, agindo pelo medo do desconhecido e nos agarrarmos ao que já não faz mais sentido.
Experiencia-se, aqui, uma crise existencial, para que renasça novas formas, novas possibilidades, um novo jeito de ser e de atuar na vida com mais propósito.
A conexão espiritual vai se fazendo mais presente enquanto que o corpo físico vai demandando novas necessidades. Importante acolher este corpo que também vai se transformando, se desvitalizando, necessitando de um novo ritmo.
Ter uma vida ritmicamente equilibrada traz mais força para viver. É de extrema importância se observar para encontrar esse compasso interno, respeitando mais as pausas e o cuidado consigo, ouvindo realmente o corpo que muitas vezes é negligenciado pelo ritmo ditado pelo  externo.
Como diria Lenine:
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara
Sim, a vida não para, mas a vida é tão rara!!!
Podemos então, definir o que faremos da nossa jornada deste setênio em diante. É possível continuarmos ampliando a nossa consciência através do desenvolvimento do Ser ou continuarmos nutrindo a energia do Ter, mantendo o ritmo dos anos anteriores, o que trará prejuízos a saúde ou simplesmente acompanharmos o declínio físico.
Este setênio nos faz lembrar que já estamos passando pelo meio da vida e, por isso, nos cabe contemplar como queremos seguir.
Fecho com as palavras tocantes de Lenine:
Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo para perder
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara

Andressa Miiashiro
Psicóloga, facilito jornadas de desenvolvimento com foco em inteligência emocional e relacional, por meio do Psicodrama, Comunicação Não Violenta e Antroposofia. www.lotustalentos.com.br


sábado, 13 de julho de 2019

Que folhas você ainda segura em seus galhos?


Há muito tempo, em um parque ecológico, um lugar muito agradável, que atraia muitas pessoas a procura de um contato com a natureza, existia uma grande árvore centenária.
Ela se lembra do dia em que a pequena árvore da mesma espécie que a sua, foi plantada. Talvez um pouco mais ou um pouco menos, certamente entre 42  a 49 anos.
Naquela tarde, tudo estava tranquilo, apenas o som dos passarinhos em revoada , quando o silêncio do parque foi preenchido por um choro compulsivo.
 Preocupada, pergunta a vizinha:
- Que acontece querida amiga?
- Minhas folhas caem incessantemente e meus galhos secaram, me sinto sem vitalidade, tenho medo de morrer, respondeu.
A árvore centenária diz do alto de sua sabedoria:
- Fique tranquila, estamos no Outono, e as folhas caem para ajudá-la a viver mais e ampliar sua criatividade.
- Como assim? Olhe para mim: Meu casco está seco e muito rugoso. Já não consigo me mover com tanta flexibilidade.
-  É importante entender e respeitar os ciclos da vida (primavera, verão, outono, inverno), comentou a árvore centenária.
- Fico triste de ver minhas folhas indo embora.
- Minha cara amiga, concordo contigo.Muitas folhas perdi e chorei solitária e silenciosamente por saber o quanto essa parte de mim me foi importante por tanto tempo. Difícil despedir. Porém,ao longo dos anos percebi que é necessário deixar ir, para sobreviver na próxima estação.
As folhas se queimariam com o frio do inverno e impediriam desta forma, a nossa respiração, o que seria nosso fim.
- Me sinto infeliz com essas mudanças físicas. Para onde foi toda aquela força e vitalidade do verão?
- O que pode parecer uma perda, é um ganho de qualidade de vida.
- É preciso entregar, deixar ir o que não serve mais para proteger o que é essencial.
- Como encontrar o que é essencial?
- Comece abençoando essa criança que brinca nos seus galhos.
A pequena árvore estava tão introspectiva olhando apenas para suas perdas que não percebera a alegria e a emoção de uma criança que subia com esforço e dificuldade em seus galhos.
Pela primeira vez, exalou bem-estar e a seiva dentro de si correu em seus veios com fluidez e leveza, como nos áureos tempos do verão, e essa sensação surgiu por sentir-se útil a humanidade.
E você o que precisa deixar ir?

Rose Camargo
Psicóloga, Aconselhadora Biográfica, Facilitadora de Constelações Familiares e Barras de Acess

sábado, 6 de julho de 2019

O que importa?


No processo de desenvolvimento, ao chegar na fase do 42 anos, cruzamos o portal da consciência social e ganhamos a perspectiva de estar no mundo diferente do que era antes.

Porém, nem sempre essa  nova perspectiva é apreciada com conforto.  E, embora já se tenha passado por muitas mudanças, esta passagem pode ser bem crítica, e, como toda crise, nos levar a reconsiderar sobre o estado de 'coisas' que estão fora do prumo ou não fazem muito sentido, por mais que se insista em manter tudo como era antes.

E, em pleno direito do livre arbítrio, podemos escolher como lidar com isso. Afinal, fazer escolhas baseadas no que é importante para você, é uma das grandes conquistas desta fase.

Se a vida começa aos 40, este é um ótimo momento para começar algo novo nessa jornada. E com a coragem de  perceber que a vitalidade está descambando morro abaixo, e nem tudo mais brilha com o esplendor da juventude, não é preciso se esforçar para mante-la a qualquer custo, nem tão pouco se apegar a vida que nos resta e querer guardar nossas conquistas em cofres e nossa saúde em frascos, porque a vida pede uma nova consciência.   

Este é o momento na vida em que você diminui o ritmo para prestar atenção no que adquiriu ao longo dos anos, e, como a caminho de embarcar numa grande viagem, examina sua bagagem e busca carregar o que realmente importa.

O que eu vivi até aqui tem valor? Essa é uma 'daquelas' perguntas quando alcançamos a linha dos 42 anos. Nesse momento, alguns questionamentos extras se impõem ao nosso ser. Dizendo assim, parece que esse questionamento vem de fora, mão não vem. Vem do mais íntimo do nosso ser. E, na imagem da viagem, numa rodovia em que estávamos em alta velocidade, começamos a ver as placas de 'Reduza a velocidade' e 'Curva perigosa'. E,  aceitar ou desprezar a orientação é uma questão de escolha e consequência.

No processo de um pensar mais claro e abrangente, Nessa época é comum achar que já é tão dona/o da própria vida que pode dar conta de tudo sozinha e que sabe lidar com tudo, que já passou por tantas, e a resposta na ponta da língua está pronta para ser lançada, e... vai derrapando na curva e percebendo que não é bem assim.

De repente, na tal 'curva perigosa' em que o declínio da vitalidade é percebido, a questão da finitude pode aparecer em forma da pergunta: 'Para quê serve tudo isso?'.
Isso nos leva a buscar olhar para a vida com novos olhos, a partir de uma nova perspectiva, e querer novas respostas. Afinal de contas, o quê importa? Qual o sentido das dores que vivi ? Devo fazer minhas escolhas a partir da imagem que o mundo quer e tem de mim ? Devo escolher a partir daquilo que realizo no mundo?  O que escolher por mim, apenas e autenticamente?

E, autenticamente, significaria o quê, mesmo?!

O dicionário nos explica que tem a ver com a nossa própria verdade, aquilo que se pode 'dar fé, ao que é legítimo, o que é originário do emissor'. Então, estarei respondendo por mim mesma e não mais por convenções.
Há quem diga que nesta época você ao ' dar de ombros' não se importa mais com nada e quer apertar o botão do 'dane-se!'.

Curiosamente, a crise da autenticidade acontece ao cruzar o portal da consciência social e, embora seja crucial reconhecer-se e assumir suas escolhas com autenticidade, sem empurrar a responsabilidade para alguém, sobre ter feito isto ou agido daquela forma, agora, inicia a fase em que pode perceber que sua contribuição é única e pode fazer a diferença ao se disponibilizar e compartilhar.

Passada as fases em que já experimentou e vivenciou o mundo entre 21 e 28 anos; em que lutou e conquistou seu lugar entre os 28 e 35 anos e, se apropriou dessas conquistas e de seu lugar entre os 35 e 42, cabe perguntar neste momento: qual é sua contribuição no mundo?

E pode examinar na sua bagagem quais foram os sinais despertados, as perguntas, as dúvidas que ocorreram em torno dos 37 anos e, a partir disso, renovar a bagagem, se desfazer do supérfluo, começar a prestar mais atenção ao essencial.
A vida que começa aos 40 anos prioriza sua essência, sua consciência e não sua vitalidade. E seu declínio, antes de ser apenas uma desvantagem,  pode despertar nova consciência corpórea: como cuidará de você, agora? Mais uma vez a vida exige mudanças no ritmo, na alimentação, no repouso, e mais do que isso, busca afinar a conexão entre sua razão e vontade através da consciência de si, para desenvolver um estar a serviço, no mundo. 

Neste momento, resgatar a sua individualidade como patrimônio maior da sua existência pode resultar em altruísmo ou tirania. A semente da bondade plantada no primeiro setênio de vida (0 a 7anos), foi cuidada o suficiente para se disponibilizar para o outro, ou o outro deve se submeter à sabedoria da sua experiência?  Baseada em quais valores você se dispõe à serviço ?

Diante de tantas exigências, não por acaso, nas fases da biografia humana, este momento é reconhecido como 'crise da autenticidade' e coloca à prova a capacidade de reagir de acordo com uma nova visão de si e do mundo.  A conquista de novos valores  é um caminho para todo o setênio, dos 42 aos 49 anos, onde se pode desenvolver um novo tato para se perceber e  lidar com as relações.

E, se caminharmos no rumo da compaixão, as relações ganharão importância ímpar no desenvolvimento não só pessoal, mas da humanidade.             
Mas,  afinal,  o que importa para você?

Olivia R S Gonzalez
Aconselhadora biográfica, terapeuta corporal, terapeuta floral





Tema de Reflexão do Mês

Escolhemos um tema como base de reflexão que será iluminado por profissionais de diversas áreas segundo seu olhar e suas vivências. Colaborações e comentários são bem vindos!

Iniciativas Antroposóficas na ZN

Escola Waldorf Franscisco de Assis (11) 22310152 (11) 22317276 www.facebook.com/EscolaWaldorfFransciscoDeAssis

Projeto Médico Pedagógico e Social Sol Violeta (PMPSSV)

Casa da Antroposofia ZN Rua Guajurus, 222 Jardim São Paulo (11) 35699600