quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

A fase racional e a carreira



O 5º setênio é marcado pelo período dos 28 aos 35 anos.
As emoções, já não nos assolam tanto com atos impulsivos, como no setênio anterior, representado pelo arquétipo do centauro. Neste setênio o centauro se transforma em um cavaleiro, demonstrando mais as rédeas de suas emoções.     
A razão começa dominar mais os impulsos, agora é possível ponderar mais as tomadas de decisões. E o desafio aqui é desenvolver tolerância e interesse pelos outros, ao mesmo tempo em que vive-se o auge da ambição, desejo por status e prestígio, conciliando a busca do próprio espaço sem ferir o espaço do outro.
Estamos em uma fase da vida que, para muitos, é permeada por realizações e conquistas. As competências de organização e planejamento estão bem fortalecidas e poderão contribuir muito para galgar novas posições na carreira.
Gerenciamento de pessoas, ainda demanda algumas lapidações, já que a segurança interior possui forte alicerce no conhecimento técnico, gerando o conflito entre delegar responsabilidades reais ou apenas tarefas, para desta forma, até de maneira inconsciente, manter o controle para si.
Há um grande espaço para ir além da posição daquele que conquista resultados a partir das próprias ideias, para a abertura para o outro através da escuta, construindo como líder espaços mais participativos, com soluções construídas e não impostas.
Com o amadurecimento das habilidades sociais, o profissional começa envolver mais as pessoas em seus processos decisórios. Saber como falar, ouvir genuinamente, perceber o que está por trás e nas entrelinhas das situações fazem parte do autodesenvolvimento desta fase.
Inicia-se também a diferenciação entre Ter e Ser, sendo a dimensão do Ter mais voltado para status, prestígio e construção e aquisição de “coisas”. E o Ser mais ligado ao sutil, a espiritualidade e a qualidade das relações consigo e com o outro. Conquistar o equilíbrio entre estas duas dimensões, propiciam ao indivíduo uma atuação mais congruente e decisões mais sustentáveis.
O caminho pela busca do autoconhecimento começa a ficar mais forte. Vai emergindo um desejo maior de compreender, por exemplo:
Por que reajo de determinada maneira diante das situações?
Qual meu papel nos espaços em que estou inserido?
Quais são meus valores?
Por volta dos 30 aos 33, vivenciamos uma intensa revisão interna, como um convite do que precisa ser deixado para que um novo possa surgir. É comum neste período termos eventos marcantes que nos fazem olhar a vida com mais profundidade e através de uma lente mais sutil.

Andressa Miiashiro
Psicóloga e psicodramatista.

www.lotustalentos.com.br

domingo, 27 de janeiro de 2019

Forjando a essência solar


'E quero crer no reino que existe em mim.'
R.Steiner


A vida vai acontecendo uma etapa seguida da outra e, na jornada da vida você já constituiu seu corpo físico, já se deparou com crenças e adquiriu valores, criou sonhos e defendeu seus ideais, se lançou no mundo à busca de se munir com habilidades para atuar, e, agora, descobriu que tem um mundo inteiro a conquistar.
Esse parece ser o ímpeto com o qual chegamos ao 5º setênio, que abarca dos 28 aos 35 anos de idade.
No decorrer desses anos foi-se adquirindo bagagem para chegar nesta etapa em que nossos atos estão inteiramente sob nossa responsabilidade. Embora haja aquele que busca se esquivar, a vida exige um maior comprometimento com o que quer que seja o que estiver fazendo.
Não por acaso esta setênio inicia com um questionamento sobre nossos talentos e a serviço de quê os colocaremos.
Esta é a etapa da vida em que a conquista do mundo se dá através do que estiver realizando ou da maneira como estiver respondendo ao mundo.

O homem está condenado a ser livre, condenado porque ele não criou a si,
e ainda assim é livre. Pois tão logo é atirado ao mundo, torna-se responsável por tudo que faz.

Normalmente, nesta fase, a vida exige uma direção. Ela cobra uma resposta para que você mostre a sua bagagem. Se, antigamente, a atividade profissional se dava como continuidade da história familiar, atualmente, somos mais livres para definir nossa atuação,  - o que muitas vezes aumenta a angústia e insegurança da escolha -, resultado da ampliação da nossa consciência enquanto desenvolvimento humano durantes várias épocas, para assumirmos nossa liberdade, como meta num desenvolvimento cósmico.
E, se por um lado temos a liberdade, por outro, temos o vigor demonstrado pela  imagem do guerreiro conquistador, que caracteriza este período, e que com esse vigor busca colocar sua marca no mundo.
Qual é sua marca? O que define a sua marca? Qual é a sua assinatura na obra que tem realizado ? De onde vem esse impulso para colocar a sua individualidade no mundo ?
Há um mundo fora e um mundo dentro que deseja se unificar nesta fase em que o vigor de fora e a liberdade de dentro, se manifestam intensamente.
Se há uma força levando a organizar o mundo há também uma força levando o  mundo a  organizá-lo.
Forças poderosas estão disponibilizadas para o ser humano nesta época em que o intelecto e os sentimentos estão tão potentes, em que forma e fluidez se deparam.
Como essas forças se manifestam ?
As forças ligadas ao estímulo da fluidez, são aquelas que se conectam com o mundo interior, seja religioso ou não, e que desconsideram o mundo prático, concreto e das conquistas de recursos para a subsistência física. Movem as  pessoas que fogem das regras e limitações e que buscam sua expressão na informalidade. 
Já as forças ligadas ao estímulo da forma são aquelas que se conectam ao mundo exterior e a conquistar todos os recursos através do mundo material, para atender suas necessidades imediatas, e desprezam todo o movimento íntimo. Movem as pessoas que buscam estabelecer as regras, criar normas, formalizar ideias.
Os dois princípios são poderosos e cada um deles tem motivações bem peculiares e servem a propósitos bem definidos. E, da mesma maneira que a fluidez nos leva ao desenvolvimento através da espiritualidade e arte, a forma nos leva ao desenvolvimento através da ciência e pensar reflexivo.
Enquanto essas forças se desenvolverem unilateralmente, maior será o conflito. Seja ele entre grupos, seja ele numa relação, seja ele em si próprio.
Para lidar com essas forças é que se faz necessário, nesta época da vida, desenvolvermos a alma da índole e intelecto ou alma do sentimento racional. Precisamos de sensibilidade para lidar com a razão e precisamos de firmeza para lidar com o coração.
Através desse desenvolvimento conectamos com nossa essência solar e nos mantemos no caminho do meio.
Ninguém disse que era fácil, né ? E você, a quais princípios  serve ou serviu com seu vigor e liberdade?

Olivia Gonzalez
Terapeuta corporal, floral e aconselhadora biográfica

  

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A atuação do “Eu” espiritual sobre o perdão

Inicialmente para falar de Perdão e “Eu”, temos que diferenciar o “Eu” individual, cotidiano, egóico, comum, que está intimamente ligado ao Ego, do “Eu” superior, espiritual, luminoso, aquele que vive no mundo espiritual, guardado pelo nosso Anjo da Guarda.

Este “Eu” superior atua sempre num sentido positivo, e de proporcionar o crescimento e evolução, não somente ao “Eu” individual, mas aos outros corpos, físico, etérico e astral, que constituem o ser humano.
Esta é a Lei Pedagógica, Rudolf Steiner diz em sua conferência do Curso de Pedagogia Curativa que, a influência positiva do “Eu” espiritual só pode ser exercida do corpo superior para o corpo inferior, nunca no sentido contrário, quando isso acontece o “Eu” superior se retira e nós ficamos a mercê do Ego junto com o corpo astral ou do corpo etérico junto com o corpo físico.
O “Eu” cotidiano está intimamente ligado ao corpo astral, que é o corpo onde se manifesta nossa simpatia ou antipatia frente à determinada pessoa ou situação. Assim quando nos aborrecemos com determinada pessoa ou situação, nós devemos conscientemente nos deixar sermos permeados, mesmo que parcialmente pelo “Eu” superior e desenvolver a força da empatia em relação à pessoa que nos aborreceu, isto é, deixar que o nosso “Eu” espiritual atue, mesmo que parcialmente e nos faça enxergar a situação de diversas maneiras, entendendo os motivos e sofrimentos que fizeram a pessoa agir da maneira inadequada, do que aplicar o juízo crítico imediatamente e precipitadamente. 
Assim se abre a possibilidade do perdão sincero, sem sermos arrogantes ou soberbos, para a pessoa que nos aborreceu.
Através da atuação do “Eu” luminoso, sobre o perdão, abre-se a possibilidade de adquirirmos novas capacidades para nosso “Eu” cotidiano junto com o corpo astral, como a do esquecimento dos fatos ruins, maior tolerância com os outros indivíduos, enxergar as lições que foram apreendidas com esse aborrecimento e ainda sentir a gratidão por tudo que aconteceu, pois possibilitou nosso crescimento espiritual.
Esse perdão sincero advindo do “Eu” superior também traz evolução aos corpos etérico e físico, ele proporciona uma purificação do corpo etérico que pode ser nutrido pelas forças vitais macrocósmicas emanadas pelo Cristo, isto dá força e vitalidade para o corpo físico e para a alma de quem perdoou, ainda que não tenha tido uma contemplação clarividente do Cristo, ele poderá proporcionar que outras individualidades, através de seu intermédio, tenham uma experiência do Cristo no etérico.
Portanto, a atuação do “Eu” superior no perdão é o caminho direto e seguro para que o Cristo no etérico possa doar suas forças para nós e para toda a humanidade, até o momento de termos formados os órgãos necessários para uma vivência clarividente com “Ele”.
Para finalizar uma citação da Dra. Ana Paula I. Cury, em seu texto - Sobre o perdão ou para virar a página.
“Se formos humildes o bastante para abrir mão do papel de promotores da justiça, corajosos para assumir responsabilidade pela verdade dolorosa, e amorosos o suficiente para reafirmar a confiança no ser essencial de cada pessoa humana, acredito que experimentaremos uma radical transformação em nós mesmos e em nossas relações.”


Rita Paula Wey Nunes da Costa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

ser ou não ser EU ?

                                              
A evolução da Terra, observada em épocas, tem paralelo com a evolução do ser humano.  E em cada uma das épocas evolutivas da Terra, o ser humano recebeu um dos membros de sua constituição, reconhecidos como corpo físico, etérico, astral e Eu.
Estamos, por assim dizer, equipados para a tarefa principal desta época atual  em que nos cabe desenvolver a Alma da Consciência.
Quando Cristo, o Eu Cósmico, encarnou em Jesus de Nazaré, nos deixou como legado a possibilidade de vivenciarmos 'a autoconsciência, a liberdade, a compaixão, o amor altruísta e a capacidade de perdoar.'[1]
Agora, mais do que nunca, a ampliação da consciência, esse exercício árduo a partir do autodesenvolvimento, é que permite a vivência do EU.
Temos a promessa e um longo caminho a trilhar.

"Em cada um de nós há um espaço interior que é preciso atravessar, observando atentamente o que está ali e onde." J. Lusseyran

E não é fácil nos mantermos nesse caminho de atenção e cuidado coerente com uma ética amorosa. Somos bombardeados por todos os lados, a todo e qualquer momento para não prestarmos atenção ao essencial, para não cuidarmos do sagrado em nós, seja pelo excesso de informações desnecessárias sobre a vida dos outros, que ao invés de nos inspirar nos distrai de uma atuação com propósito; ou seja  pela compulsão medicamentosa - pelas drogas em seus diversos graus e diferentes gêneros - recomendadas para um sem de números de estados distorcidos de ser quem é, para remendar (na maioria das vezes, ouso dizer!)  estados emocionais, criando atalhos para o árduo caminho de se reconhecer e aprender a lidar com o que é seu mais intimamente, com o seu espaço interior. Nesse espaço onde o EU deveria estar, onde poderia ser acessado. Mas esse espaço interior está sobrecarregado de imagens, sons, lembranças que pouco pertence a esse EU, que pertence a esse bombardeio a que nos expomos sem cuidado e que esquecemos de higienizar, frequentemente.
Nos deparamos aqui com duas fortes marés: a da era tecnológica, onde o reino mais material e frio se impõe, e a das drogas que inibe o contato com a dura e difícil realidade que vivemos. Este é um exemplo das forças adversas trabalhando contra a atuação do EU.
E embora não possamos fugir da época em que vivemos, nem negá-la, também não podemos ficar à mercê dessas marés.
E, para que isso seja diferente,  como nos disse J. Lusseyran: o nosso EU precisa de nós.
Mas, se o EU é o que há de mais essencial em cada um, como poderia ele precisar de  nós?
Pois é disso mesmo que precisamos falar, dos cuidados, da atenção que precisamos ter para que esse EU se fortaleça.
A base para o fortalecimento do Eu começa já na infância, através do vínculo duradouro  que confere a segurança interna e confiança na vida, e "o caminho para a sustentabilidade desse EU é construído através da convivência" como nos alerta Ute Craemer, em A sustentabilidade do EU.
Isso nos aponta tão extraordinariamente para o desenvolvimento social e para as redes que criamos.
Que espaço tem sido criado para que nessa convivência o espaço interior seja cultivado e celebrado ?
Quais são os impulsos gerados a partir dos encontros que tem realizado ?
"O EU tem condições próprias para crescer.  O Eu se nutre, se alimenta unicamente dos movimentos que faz" e ele "diminui, encolhe cada vez que não atua."[2]
Assim, se deixarmos nosso espaço interior ser inundado por marés adversas, ele poderá ser levado para longe do seu propósito.
E adentrar o portal do autoconhecimento é a escolha que melhor pode nos apoiar para o fortalecimento do EU, e a realização de nosso propósito. Já que isso implica em se apropriar e responsabilizar pelo que realiza, pelo que sente e pelo que pensa. 
Dessa forma, tendo como pilares da educação aprender a atuar, aprender a conviver, aprender a aprender, podemos oferecer a cada criança e jovem a oportunidade de se conhecer - exercício humano de refletir sobre si e dar significado as suas vivências, orientado pelo último pilar, que é aprender a Ser. Humano. Não apenas aceitando a ligação entre o princípio terreno e cósmico,  mas trabalhando conscientemente sobre essa ligação em si, sem se perder numa maré ou noutra.

Olivia Gonzalez
Terapeuta corporal, floral e aconselhadora biográfica



[1] Setzer, S - Enfermidade e Cura
[2] Lusseyran, J - Contra a poluição do EU

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O desenvolvimento da autoconsciência


Na cultura egípcia, 3000aC, não existia a palavra “eu”. A consciência era do grupo e não do indivíduo. Era um EU coletivo.
É na Grécia, quando nasce o intelecto, que se desperta a consciência do EU. Já dizia o filósofo Descartes: “Penso, logo existo”.
A partir daí damos grandes saltos na individualidade do Homem.
Acontece o despertar do mundo material, da ciência, da vida econômica, dos conhecimentos, dos pensamentos filosóficos...
Ao mesmo tempo, vamos perdendo gradativamente os vínculos com os mundos espirituais, a força do grupo, das tradições e o contato com a natureza.
Quando olhamos para a biografia do Ser Humano dentro da nossa cultura pelo olhar da Antroposofia, vemos que enquanto bebês e crianças, estamos muito mais conectados a nossa entidade espiritual do que a individuação do EU.
Será a partir dos setênios posteriores que nossa identidade irá nascer e assim iremos despertando essa consciência do EU.
Na essência espiritual, somos todos amor incondicional, somos uma coisa só, uma fonte divina.
Mas para atuarmos no mundo, criamos identidades, que seriam as nossas personas, nossas máscaras, nossos tons, sabores únicos, que se apresentarão pelo nosso pensar, sentir e agir.
E aí temos duas grandes tarefas aqui nesse mundo, uma é trabalhar essa personalidade para que esteja cada vez mais no seu campo saudável, alinhada com sua essência e, a outra, é aproximar-se dessa essência espiritual que é o retorno à fonte divina que está dentro de nós.
Sobre a essência espiritual, vou deixar para falar em outro momento. Agora gostaria de falar dessa essência da nossa personalidade, daquela que talvez conheçamos mais, seja pelo nosso próprio olhar, ou pelos olhares das pessoas que estão ao nosso redor, que servem de espelhos para nós.

Quem é você?

Quantas respostas diferentes você poderia dar para essa mesma pergunta?
Quais são as facetas do seu Ser?
Quais gosta mais e quais gosta menos?
Quais já deixou ir, quais se mantêm, e quais tem buscado transformar?
O que parece ser estrutural, aquilo que não muda, que você pode mudar de cidade, país, de amigos, parceiros, trabalho, mas percebe que está sempre ali, como uma tendência sua a agir e reagir no mundo?
Qual a sua luz única no mundo?
Se você deixasse de existir, o que o mundo estaria perdendo?
Perguntas para nos ajudar a voltar para dentro, a se olhar, rever e reconhecer.
E acima de tudo, se ACEITAR.
Cada ser é único na sua essência, mesmo que juntos, na fonte mais profunda, sejamos uma coisa só, AMOR.
O que mais tenho percebido nos processos de desenvolvimento pessoal que conduzo é uma grande falta de autoconhecimento e autoaceitação.
Não sabemos quem somos. Não nos reconhecemos. Não nos aceitamos.
E se agimos a partir desse não reconhecimento, estamos agindo da sombra, e assim nos conectaremos a outras sombras, cocriando realidades não saudáveis, a partir do medo, da raiva, da inveja, da dor...
Precisamos estar na luz! Precisamos conectar com a nossa essência, com a nossa verdade, a nossa fonte de amor para assim conectarmos com a luz do outro e cocriarmos realidades mais saudáveis e amorosas.
A evolução da consciência acontece quando sabemos reconhecer e conciliar com todas essas partes, luz e sombra, que existem dentro de nós, e, a partir daí, poder escolher de qual lugar queremos estar no mundo.
Que sejamos mais luz!

Marcela Lempé Madruga
Psicóloga e Coach

Facilitadora do desenvolvimento humano, apaixonada por autoconhecimento e experiências que ampliem a consciência. Mais sobre mim: www.essenciadesenvolvimento.com.br / https://medium.com/@marcelalempe

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

A fase das emoções e a carreira


Resultado de imagem para centauro mitologia em aquarela

O quarto setênio refere-se ao período dos 21 aos 28 anos. É a fase da experimentação, oportunidade de sentir o que atrai profissionalmente. É o momento também em que o jovem ingressa inteiramente no mundo dos adultos, assumindo mais responsabilidades e escolhas.   
O centauro é o arquétipo trazido pelos gregos para representar este ciclo, o símbolo metade homem e metade cavalo, evidência a necessidade de aprendizagem das emoções.   
Há aqui energia, vitalidade, conhecimentos adquiridos através de leituras, cursos, faculdade e existe também um grande espaço para a prática de habilidades técnicas.
Por um outro lado, o domínio do conteúdo técnico não é suficiente por si só, há um desafio para equilibrar os altos e baixos das emoções, gerada por uma instabilidade emocional que precisa ser cuidada.
Enxergo que a importância da inteligência emocional vai ficando ainda mais forte atualmente, considerando que cada vez mais cedo jovens estão empreendendo e assumindo posições que lhe demandam mais e mais, em seus próprios negócios, empresas tradicionais e startups.   
Ter projetos com resultados mensuráveis contribui para que o jovem vá se apropriando de seu desempenho, o que vai ganhando ainda mais potência com o apoio de um outro profissional que possa ir lhe dando orientações técnicas e comportamentais.
É comum a insegurança e uma maior fragilidade diante de críticas, por isto feedbacks conduzidos com assertividade por meio de uma comunicação não violenta, contribuem para dar mais clareza ao profissional, o que vai trazendo de forma gradativa mais segurança interna.   
O feedback é uma forma de comunicar os acertos e melhorias, o que na verdade é importante em todas fases, mas nesta ainda mais, pois traz um norte, uma referência de que caminho seguir, como uma bússola para um viajante que necessita de direção.
O final deste setênio, é marcado por uma crise interior, chamada de crise dos talentos, o qual cada um vivenciará com uma intensidade e de uma forma. Esta crise vem como uma oportunidade para olhar para os talentos com mais consciência e vem acompanhado por uma pergunta:
O que eu faço com os meus talentos daqui para frente?
Cada fase da vida vivenciamos uma grande questão, esta é a que permeia os 28 anos.
Minha crise dos talentos aconteceu enquanto eu trabalhava como funcionária no meio organizacional, comecei a sentir uma grande insatisfação, pois tinha percepção que minha inquietação não se resolveria indo para uma nova empresa. Era algo mais profundo, eu precisava me reencontrar,  relembrar por que eu havia escolhido psicologia como formação, quais talentos eu tinha e como poderia usá-los, mas talvez de uma nova forma. Foi um momento de dúvida e que bom que eu vivi esta crise, me permitiu fazer novas escolhas na minha carreira.
Para fechar este texto, gostaria de compartilhar uma parábola que descreve muito bem a importância dos talentos.
“Um senhor tinha três servos, aos quais deu dez talentos (moedas de prata); dez para cada um. O primeiro esbanjou o dinheiro; o segundo enterrou o dinheiro; e o terceiro o aplicou. Após um ano, os três voltaram ao senhor: o primeiro, de mãos vazias; o segundo desenterrou o dinheiro e voltou com a mesma quantia; e o terceiro, que aplicou o dinheiro, voltou com uma quantia bem maior”.
E você, como está aplicando seus talentos?

Andressa Miiashiro
Psicóloga e psicodramatista

www.lotustalentos.com.br

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

"ECCE HOMO" ("Eis o Homem")




“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma de nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo de travessia, e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa


Neste setênio há uma marca importante: o fim da fase do crescimento corporal. Aqui começa a autoeducação. Até aqui, com o corpo físico em crescimento, o Homem está aberto, pois para crescer precisa ter espaço. Este espaço permite que a educação ocorra de fora para dentro.

Com o término do crescimento físico, o “fechamento” do esqueleto, ocorre uma nova situação. Agora, não é mais possível educar de fora. Se tudo deu certo, toda informação que entrar será avaliada pelo Eu. Então o que se vê agora não é mais um jovem, mas um adulto, com opiniões próprias, escolhas pessoais e atitudes individuais.
Este processo é lento e vai se consolidar neste setênio. Esta é a tônica desta época na biografia humana.

O Homem agora se emancipa da educação que herdou. Ele tem agora um corpo adulto e uma bagagem pessoal, que foi a educação que recebeu até então. Com a perda do último invólucro, o do Eu, se inicia a manifestação plena do mesmo, que começa neste ponto a verdadeiramente se formar. A individualidade. Esta parte suprassensível do ser humano, agora desperta com toda sua força.

Se até então a criança estava dentro de casa e da escola e o jovem estava meio-fora e meio-dentro, treinando olhar o mundo exterior, agora o novo adulto estará especialmente sensível ao mundo de fora.

É o momento onde ele começa a questionar se os valores recebidos tem conexão com seu Eu e se a educação que recebeu faz sentido para ele. É uma época de profundos questionamentos, o que deixa o novo adulto vulnerável às informações, pois ele está mais propenso a negar os valores e a educação recebidos, na busca de sua própria identidade. É um momento crucial onde também pode ocorrer uma ligação demasiadamente forte com valores diferentes dos seus originais. Ele reflete sobre o que herdou, se sua bagagem serve aos seus propósitos de vida. É momento dele fazer um balanço, para ver o que fica e o que se vai, na construção de sua identidade adulta.

Neste ponto, o Eu se liberou do trabalho com o corpo físico e agora se ocupa com a constituição de sua Alma. A Alma é o instrumento pelo qual o Homem se manifesta no mundo. É Ela quem dá notícias ao mundo sobre a individualidade que ali está e que agora, neste setênio, se manifesta mais plenamente. Este é o momento biográfico que pode ser traduzido como um segundo nascimento. Ao nascermos, nasce a promessa de uma individualidade. Aos 21, ela se torna presente.

Os fenômenos que serão percebidos neste setênio, na vida prática, serão aqueles relacionados com a formação de uma base estrutural como plataforma de lançamento para o próximo setênio. São eles: formação universitária, colocação profissional, consolidação dos relacionamentos amorosos, constituição de uma nova família, obtenção de recursos financeiros.

Fica evidente que neste momento o novo adulto prepara seu novo ninho, com sua marca pessoal, e vai em busca de recursos materiais para consolidar sua tarefa e, mais tarde, concretizar sua missão de vida.

O Homem é um cidadão de dois mundos, o celeste e o terrestre. A vida é como uma conversa ou um encontro destas duas forças. A partir dos 21 anos, aquele Eu que desejou passar pela experiência terrestre finalmente pode expressar, com liberdade e verdade, aquilo que veio manifestar no mundo físico. Dádiva!


Anahi Noppeney

Tema de Reflexão do Mês

Escolhemos um tema como base de reflexão que será iluminado por profissionais de diversas áreas segundo seu olhar e suas vivências. Colaborações e comentários são bem vindos!

Iniciativas Antroposóficas na ZN

Escola Waldorf Franscisco de Assis (11) 22310152 (11) 22317276 www.facebook.com/EscolaWaldorfFransciscoDeAssis

Projeto Médico Pedagógico e Social Sol Violeta (PMPSSV)

Casa da Antroposofia ZN Rua Guajurus, 222 Jardim São Paulo (11) 35699600