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domingo, 12 de janeiro de 2020

'Novo tempo sempre se inaugura'*


                             
Em pleno ano novo, buscamos olhar para o que virá com a perspectiva de melhorias, de desejos atendidos e outras facilidades. E poucas vezes incluímos nesse rol de expectativas o compromisso com o desenvolvimento interior.

Desejamos que o mundo esteja melhor, que a política seja mais ética, mais razoável, que a economia seja mais solidária, que os direitos humanos sejam respeitados, que o clima se equilibre, que as pessoas se relacionem em paz, e enfim que a evolução aconteça. E nem sempre reconhecemos nosso papel nesse feito.
E para a evolução humana é necessária que cada individualidade se responsabilize pelo processo. E podemos fazer isso de diversas maneiras, e cada vez precisamos mais.
Afinal, se é sabido que aquilo que fazemos repercute sobre o todo em que atuamos, a importância do desenvolvimento pessoal é parte fundamental do desenvolvimento da humanidade. Vivemos em teia. E podemos escolher com qual substância teceremos os fios dessa teia.
Depende de cada um de nós: o que oferecemos e do que desfrutaremos. 

Apoiada na imagem dos três reis magos, reflito sobre o desejo da mudança e o compromisso com o auto desenvolvimento.
Esses três seres que caminharam guiados por uma estrela, amparados pelos seus conhecimentos astronômicos e astrológicos, e também pela convicção da orientação espiritual para reverenciar o nascimento de uma nova era, ilustram o vínculo entre o dentro e o fora, e também entre o Um e o Todo.  

Assim, no mundo cristão, essa época que traz a promessa de uma nova era, potencializa cada um de nós, e, ao mesmo tempo estimula o processo coletivo.  
Faz desse episódio um marco a ser respeitado não só pelo que desperta individualmente, mas porque nos coloca, enquanto comunidade,  numa vibração muito semelhante. Cada individualidade ecoando para o coletivo que reflete cada individualidade vibrando a expectativa de transpor uma etapa. Interligados. (queria escrever essa frase em círculo)

E,  se a nova etapa traz uma promessa de mudança para o coletivo, algo novo será acrescentado, também, no pessoal, como parte do processo de desenvolvimento: seja através de uma provocação para superarmos algo, enfatizarmos outras coisas, duvidarmos do que já sabemos e mantermos o que precisamos, além de transformar o que está desconfortável, entre outras possibilidades mais.
E, por essas e outras, por vezes, ansiaremos pela mudança, por outras, buscaremos evitá-la. 
O que nos impulsiona ? O que nos detém?
O desejo e o medo do desconhecido se agitam em nosso interior e fazer as pazes com eles é que nos permitirá iniciar uma jornada mais centrada.

Antes de nos  confrontarmos com a força solar que  impulsiona esse desenvolvimento interior,  podemos nos deparar com desafios e, como Herodes, querer  impedir a mudança ou, como os três reis, cooperar com ela.
Herodes refuta  a mudança porque se sente ameaçado por ela, já os reis reconhecem a importância dessa mudança e a reverenciam, e oferecem seus talentos para fortalecer o impulso. Assim eles participam da mudança, não são meros observadores, eles se preparam para a nova fase. Eles se ajoelham, se submetem às exigências dessa nova etapa, porque reconhecem que isso ampliará também sua sabedoria.
Mas a mudança está na criança que acaba de nascer. Ela, gradativamente, colocará em suas atitudes e em suas palavras, a mudança que deseja para todos.
Qual modalidade você tem acionado, com mais frequência, no novo tempo que começou ?

Olivia R S Gonzalez
Aconselhadora biográfica, terapeuta corporal e floral.

* Gilberto Gil/Nova Era

Imagem de Pablo Elices por Pixabay
Imagem de <a href="https://pixabay.com/pt/users/elicesp-6883863/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3024333">Pablo Elices</a> por <a href="https://pixabay.com/pt/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3024333">Pixabay</a>





terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Nova consciência


A humanidade para o seu desenvolvimento já passou por várias épocas culturais, vamos destacar a terceira época, a egípcia, que desenvolveu a alma da sensação, na quarta  época, a grego – romana, desenvolveu a alma do intelecto ou da razão, e agora estamos na época quinta, a europeia, e devemos desenvolver a alma da consciência. Desde 1413 a humanidade adentrou a este período da alma da consciência.
Anteriormente, no período da alma da razão, a humanidade aprendeu o pensar lógico e racional, a partir da observação     exterior, e isso foi muito importante para as descobertas científicas e o seu desenvolvimento. Nessa fase os homens dependiam de gurus, sacerdotes, clãs, família de sangue, nos quais eles se espelhavam e consequentemente eram guiados e obrigados a seguirem seus valores e preceitos morais, não existia a autoconsciência.
Agora todos nós estamos no período da alma da consciência, a tarefa que temos que desempenhar é desenvolver cada vez mais o livre pensar, sentir e querer e ser cada vez mais autoconsciente, a fim de contribuir para a evolução da humanidade. Como foi dito por Daniel Burkhard “Por sua vez, Rudolf Steiner, com sua capacidade clarividente, descreveu a identidade humana em seu constante processo de desenvolvimento com bastante clareza. Ele descreveu o próprio eu, que, como entidade espiritual passando por muitas encarnações, começa a despertar e a se dar conta de nossa condução interior na quinta época cultural, a nossa.” (em Nova Consciência  - pág.19).
Hoje, século XXI, qual o cenário que vemos: os gurus e sacerdotes não servem mais para nos conduzir, pois lhes falta credibilidade, porque muitas vezes suas ações não correspondem com suas palavras, a família, como nosso porto seguro está em crise, não preenchendo mais nossos valores, o mundo globalizado e integrado também não nos indica mais que pertencemos a uma raça ou nação, pois estamos todos interligados.
Assim, estamos sós, nos sentindo desamparados, porque antigamente havia algo que nos orientava, agora temos que olhar para o nosso interior, para o que somos  e quem somos, e assim desenvolvermos o pensar, valores, moral e ética.
A partir da nossa autoconsciência e liberdade temos que nos desenvolver para o bem e contribuir para a nossa evolução, bem como a evolução de todos.
Podemos começar com a observação do nosso pensar, de como tantas vezes a partir de uma inconsciência somos levados a pensar errado.
Como a internet, televisão, celulares, jogam informações sem controle, e a partir do desenvolvimento do pensar correto, moral e ético, permeados sempre pelo amor e altruísmo e pela auto observação, essas informações passam por nós, e temos condições de questioná-las e assim absorver o que for  bom, e descartarmos  o que é ruim, viver sem ilusões que nos conduzam a uma inconsciência e assim uma opinião errada.
Depois podemos observar o nosso sentir, temos compaixão pela dor do nosso próximo, ou simplesmente na inconsciência não sentimos nada, o sofrimento do outro não reverbera no nosso coração? Ainda somos conduzidos pela vaidade, compulsões, mentiras, amoralidades e instintos. Como bem diz Daniel Burkhard “Rudolf Steiner revela que a tarefa da época da alma da consciência é elevar  nosso lado instintivo para a clara consciência.” (em Nova Consciência  - pág.22).
Através dessa auto observação devemos desenvolver a Empatia em relação ao sofrimento, nos devemos sempre nos colocar no lugar de quem sofre, sem julgamentos ou cobranças.
E nossas ações são também permeadas pelo amor, ou são egoístas visando somente nosso bem estar, nosso querer está em consonância com o nosso pensar e sentir? Quantas vezes tivemos preguiça em pegar um livro de Rudolf Steiner e estudá-lo, de colocar nosso esforço a serviço de um auto desenvolvimento a fim de nos tornarmos mais humanos, para servir melhor a humanidade.
Muitas das nossas ações inconscientes são egoístas, meros atos sem sentido moral, somente satisfazendo nosso Ego, mas se tivermos atentos a nós mesmos, desenvolvendo a autoconsciência e colocando em prática nos nossos atos com amor, esses atos serão não só benéficos para nós, mas para todos os homens. Conforme Rudolf Steiner “ Um profundo respeito  pela individualidade do outro  e um verdadeiro interesse pelo outro. Essas duas qualidades podem ser treinadas e, se o esforço for realmente honesto, o amor espiritual não tardará a aparecer como graça divina...” (GA 186, Dornach, 6 de dez.1918).

Assim, nos dias de hoje urge o auto desenvolvimento, somente seremos seres melhores a partir desse desenvolvimento, o mundo parece vir ao nosso encontro de, como dito amplamente, vem para nós com inversão de valores morais e éticos, temos a ilusão de remarmos contra a maré, mas devemos sempre seguir em frente, mesmo quando pessoas que amamos não comunguem com o novo aprendizado, nesse momento devemos vivenciar a Antroposofia através da nossa coerência entre o pensar, sentir e agir, permeado de Amor e Liberdade.
Finalizo o tema proposto neste texto com um trecho do livro de Daniel Burkhard – Nova Consciência  - Altruísmo e Liberdade na pág. 14.
“Mas durante nossa travessia certamente também teremos momento de grande alegria, por exemplo estar no topo de uma montanha e encontrar outros seres humanos que fizeram o mesmo esforço que nós para chegar lá, talvez  com o objetivo de visualizar uma melhor paisagem a partir dali. Talvez olhemos juntos para trás no intuito de constatar quanto já caminhamos  e quanto já nos transformamos. E talvez juntos descubramos que a maior alegria que pode existir  para um ser humano é saber que se está sozinho e que se está no caminho certo rumo ao grande objetivo que é a conquista da dignidade de um ser humano livre.”



Rita Paula Wey Nunes da Costa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O desenvolvimento da autoconsciência


Na cultura egípcia, 3000aC, não existia a palavra “eu”. A consciência era do grupo e não do indivíduo. Era um EU coletivo.
É na Grécia, quando nasce o intelecto, que se desperta a consciência do EU. Já dizia o filósofo Descartes: “Penso, logo existo”.
A partir daí damos grandes saltos na individualidade do Homem.
Acontece o despertar do mundo material, da ciência, da vida econômica, dos conhecimentos, dos pensamentos filosóficos...
Ao mesmo tempo, vamos perdendo gradativamente os vínculos com os mundos espirituais, a força do grupo, das tradições e o contato com a natureza.
Quando olhamos para a biografia do Ser Humano dentro da nossa cultura pelo olhar da Antroposofia, vemos que enquanto bebês e crianças, estamos muito mais conectados a nossa entidade espiritual do que a individuação do EU.
Será a partir dos setênios posteriores que nossa identidade irá nascer e assim iremos despertando essa consciência do EU.
Na essência espiritual, somos todos amor incondicional, somos uma coisa só, uma fonte divina.
Mas para atuarmos no mundo, criamos identidades, que seriam as nossas personas, nossas máscaras, nossos tons, sabores únicos, que se apresentarão pelo nosso pensar, sentir e agir.
E aí temos duas grandes tarefas aqui nesse mundo, uma é trabalhar essa personalidade para que esteja cada vez mais no seu campo saudável, alinhada com sua essência e, a outra, é aproximar-se dessa essência espiritual que é o retorno à fonte divina que está dentro de nós.
Sobre a essência espiritual, vou deixar para falar em outro momento. Agora gostaria de falar dessa essência da nossa personalidade, daquela que talvez conheçamos mais, seja pelo nosso próprio olhar, ou pelos olhares das pessoas que estão ao nosso redor, que servem de espelhos para nós.

Quem é você?

Quantas respostas diferentes você poderia dar para essa mesma pergunta?
Quais são as facetas do seu Ser?
Quais gosta mais e quais gosta menos?
Quais já deixou ir, quais se mantêm, e quais tem buscado transformar?
O que parece ser estrutural, aquilo que não muda, que você pode mudar de cidade, país, de amigos, parceiros, trabalho, mas percebe que está sempre ali, como uma tendência sua a agir e reagir no mundo?
Qual a sua luz única no mundo?
Se você deixasse de existir, o que o mundo estaria perdendo?
Perguntas para nos ajudar a voltar para dentro, a se olhar, rever e reconhecer.
E acima de tudo, se ACEITAR.
Cada ser é único na sua essência, mesmo que juntos, na fonte mais profunda, sejamos uma coisa só, AMOR.
O que mais tenho percebido nos processos de desenvolvimento pessoal que conduzo é uma grande falta de autoconhecimento e autoaceitação.
Não sabemos quem somos. Não nos reconhecemos. Não nos aceitamos.
E se agimos a partir desse não reconhecimento, estamos agindo da sombra, e assim nos conectaremos a outras sombras, cocriando realidades não saudáveis, a partir do medo, da raiva, da inveja, da dor...
Precisamos estar na luz! Precisamos conectar com a nossa essência, com a nossa verdade, a nossa fonte de amor para assim conectarmos com a luz do outro e cocriarmos realidades mais saudáveis e amorosas.
A evolução da consciência acontece quando sabemos reconhecer e conciliar com todas essas partes, luz e sombra, que existem dentro de nós, e, a partir daí, poder escolher de qual lugar queremos estar no mundo.
Que sejamos mais luz!

Marcela Lempé Madruga
Psicóloga e Coach

Facilitadora do desenvolvimento humano, apaixonada por autoconhecimento e experiências que ampliem a consciência. Mais sobre mim: www.essenciadesenvolvimento.com.br / https://medium.com/@marcelalempe

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

A fase das emoções e a carreira


Resultado de imagem para centauro mitologia em aquarela

O quarto setênio refere-se ao período dos 21 aos 28 anos. É a fase da experimentação, oportunidade de sentir o que atrai profissionalmente. É o momento também em que o jovem ingressa inteiramente no mundo dos adultos, assumindo mais responsabilidades e escolhas.   
O centauro é o arquétipo trazido pelos gregos para representar este ciclo, o símbolo metade homem e metade cavalo, evidência a necessidade de aprendizagem das emoções.   
Há aqui energia, vitalidade, conhecimentos adquiridos através de leituras, cursos, faculdade e existe também um grande espaço para a prática de habilidades técnicas.
Por um outro lado, o domínio do conteúdo técnico não é suficiente por si só, há um desafio para equilibrar os altos e baixos das emoções, gerada por uma instabilidade emocional que precisa ser cuidada.
Enxergo que a importância da inteligência emocional vai ficando ainda mais forte atualmente, considerando que cada vez mais cedo jovens estão empreendendo e assumindo posições que lhe demandam mais e mais, em seus próprios negócios, empresas tradicionais e startups.   
Ter projetos com resultados mensuráveis contribui para que o jovem vá se apropriando de seu desempenho, o que vai ganhando ainda mais potência com o apoio de um outro profissional que possa ir lhe dando orientações técnicas e comportamentais.
É comum a insegurança e uma maior fragilidade diante de críticas, por isto feedbacks conduzidos com assertividade por meio de uma comunicação não violenta, contribuem para dar mais clareza ao profissional, o que vai trazendo de forma gradativa mais segurança interna.   
O feedback é uma forma de comunicar os acertos e melhorias, o que na verdade é importante em todas fases, mas nesta ainda mais, pois traz um norte, uma referência de que caminho seguir, como uma bússola para um viajante que necessita de direção.
O final deste setênio, é marcado por uma crise interior, chamada de crise dos talentos, o qual cada um vivenciará com uma intensidade e de uma forma. Esta crise vem como uma oportunidade para olhar para os talentos com mais consciência e vem acompanhado por uma pergunta:
O que eu faço com os meus talentos daqui para frente?
Cada fase da vida vivenciamos uma grande questão, esta é a que permeia os 28 anos.
Minha crise dos talentos aconteceu enquanto eu trabalhava como funcionária no meio organizacional, comecei a sentir uma grande insatisfação, pois tinha percepção que minha inquietação não se resolveria indo para uma nova empresa. Era algo mais profundo, eu precisava me reencontrar,  relembrar por que eu havia escolhido psicologia como formação, quais talentos eu tinha e como poderia usá-los, mas talvez de uma nova forma. Foi um momento de dúvida e que bom que eu vivi esta crise, me permitiu fazer novas escolhas na minha carreira.
Para fechar este texto, gostaria de compartilhar uma parábola que descreve muito bem a importância dos talentos.
“Um senhor tinha três servos, aos quais deu dez talentos (moedas de prata); dez para cada um. O primeiro esbanjou o dinheiro; o segundo enterrou o dinheiro; e o terceiro o aplicou. Após um ano, os três voltaram ao senhor: o primeiro, de mãos vazias; o segundo desenterrou o dinheiro e voltou com a mesma quantia; e o terceiro, que aplicou o dinheiro, voltou com uma quantia bem maior”.
E você, como está aplicando seus talentos?

Andressa Miiashiro
Psicóloga e psicodramatista

www.lotustalentos.com.br

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

"ECCE HOMO" ("Eis o Homem")




“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma de nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo de travessia, e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”
Fernando Pessoa


Neste setênio há uma marca importante: o fim da fase do crescimento corporal. Aqui começa a autoeducação. Até aqui, com o corpo físico em crescimento, o Homem está aberto, pois para crescer precisa ter espaço. Este espaço permite que a educação ocorra de fora para dentro.

Com o término do crescimento físico, o “fechamento” do esqueleto, ocorre uma nova situação. Agora, não é mais possível educar de fora. Se tudo deu certo, toda informação que entrar será avaliada pelo Eu. Então o que se vê agora não é mais um jovem, mas um adulto, com opiniões próprias, escolhas pessoais e atitudes individuais.
Este processo é lento e vai se consolidar neste setênio. Esta é a tônica desta época na biografia humana.

O Homem agora se emancipa da educação que herdou. Ele tem agora um corpo adulto e uma bagagem pessoal, que foi a educação que recebeu até então. Com a perda do último invólucro, o do Eu, se inicia a manifestação plena do mesmo, que começa neste ponto a verdadeiramente se formar. A individualidade. Esta parte suprassensível do ser humano, agora desperta com toda sua força.

Se até então a criança estava dentro de casa e da escola e o jovem estava meio-fora e meio-dentro, treinando olhar o mundo exterior, agora o novo adulto estará especialmente sensível ao mundo de fora.

É o momento onde ele começa a questionar se os valores recebidos tem conexão com seu Eu e se a educação que recebeu faz sentido para ele. É uma época de profundos questionamentos, o que deixa o novo adulto vulnerável às informações, pois ele está mais propenso a negar os valores e a educação recebidos, na busca de sua própria identidade. É um momento crucial onde também pode ocorrer uma ligação demasiadamente forte com valores diferentes dos seus originais. Ele reflete sobre o que herdou, se sua bagagem serve aos seus propósitos de vida. É momento dele fazer um balanço, para ver o que fica e o que se vai, na construção de sua identidade adulta.

Neste ponto, o Eu se liberou do trabalho com o corpo físico e agora se ocupa com a constituição de sua Alma. A Alma é o instrumento pelo qual o Homem se manifesta no mundo. É Ela quem dá notícias ao mundo sobre a individualidade que ali está e que agora, neste setênio, se manifesta mais plenamente. Este é o momento biográfico que pode ser traduzido como um segundo nascimento. Ao nascermos, nasce a promessa de uma individualidade. Aos 21, ela se torna presente.

Os fenômenos que serão percebidos neste setênio, na vida prática, serão aqueles relacionados com a formação de uma base estrutural como plataforma de lançamento para o próximo setênio. São eles: formação universitária, colocação profissional, consolidação dos relacionamentos amorosos, constituição de uma nova família, obtenção de recursos financeiros.

Fica evidente que neste momento o novo adulto prepara seu novo ninho, com sua marca pessoal, e vai em busca de recursos materiais para consolidar sua tarefa e, mais tarde, concretizar sua missão de vida.

O Homem é um cidadão de dois mundos, o celeste e o terrestre. A vida é como uma conversa ou um encontro destas duas forças. A partir dos 21 anos, aquele Eu que desejou passar pela experiência terrestre finalmente pode expressar, com liberdade e verdade, aquilo que veio manifestar no mundo físico. Dádiva!


Anahi Noppeney

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O despertar do Ser único no mundo


Aos 21 anos se dá o nascimento da alma individualizada.
Até esse momento, o EU estava tomado pela construção do instrumento físico, o corpo, agora, a partir dos 21 anos, o EU está focado no amadurecimento psíquico.
Neste 4º setênio, que se dá dos 21 aos 28 anos, aflora-se nossas emoções e sensações. É a fase que nomeamos, metaforicamente, como centauro, aquela imagem da mitologia que é metade homem e metade cavalo, passando a ideia de que somos o cavaleiro na vida, que vai aprendendo a puxar e controlar as rédeas de seu cavalo ainda bravo.
É uma fase de muita experimentação. Caímos e levantamos psicologicamente, tal como acontece com a criança que está aprendendo a andar.
Momento importante para aprender experimentando, acertando e errando, correndo riscos.
Somos tomados por ideias e acreditamos que tudo é possível, inclusive mudar o mundo.
O eu quer aparecer, brilhar, mas também sofre por ainda estar muito preso às expectativas dos outros em relação aos papéis que exerce na vida (como a boa filha, o bom profissional...), que seriam as máscaras / personas desenvolvidas, apresentando ainda uma grande necessidade de aceitação social.
Nessa fase, muitas pessoas que tiveram oportunidade, geralmente estão saindo da faculdade, conquistando seu papel profissional e novas habilidades técnicas. Aprendendo a lidar com chefes, a criar novos círculos sociais...alguns já casaram e até já tem filhos.
Falando um pouco de mim nessa fase...
Com 22 anos me formei em psicologia pela Universidade federal do Espírito Santo. Tive meu primeiro emprego depois de formada e também uma demissão, que resultou em mudança de rota e minha ida para Índia, onde fiquei por 1 ano. No retorno da Índia, mudei de Vitória para São Paulo, trabalhei em duas empresas diferentes, aprimorei minhas habilidades técnicas na área de Desenvolvimento de Pessoas e Organizações. Me casei. Aumentei muito meu círculo de amizades e conhecimento. Foi realmente um período de viver muito o mundo, de me experimentar, arriscar, desbravar novos mundos e desenvolver novas habilidades. Percebo como um período crucial da construção da minha biografia e sou muito grata por ter tido todas essas oportunidades que me permitiram viver esse setênio na sua maior potência. Se eu pudesse falar desse período através de uma cor, escolheria a cor verde, que me lembra assertividade, ação e tomada de decisão.
A vivência de cada setênio pode mudar de acordo com a realidade e os privilégios que cada um tem, mas de uma forma geral, os 21 aos 28 anos é uma fase na qual as pessoas vão mais para o mundo com a sua mochila nas costas.
E se torna um momento muito importante para olhar para o que se tem nessa mochila.
O que carregamos da nossa infância e adolescência.
Aqui começa a ser escrita a biografia interna (o que realmente desejamos, intuímos, queremos realizar) e a biografia externa (o que a vida exige de nós).
Adquirimos a nossa “maioridade”, a capacidade plena de assumir responsabilidade na vida.
Hora de libertar-se dos padrões, principalmente os paterno e materno que recebemos pela educação, saindo do lugar da criança e de relação de dependência e nos colocarmos no lugar de adulto e responsável pela própria história.
Hora de olhar para as pedras preciosas que carregamos, como valores, talentos e aprendizados, e também para os objetos pesados que trazemos que não nos servem mais, como crenças e rótulos que nos limitam, aprendidos principalmente no 2º setênio (7 aos 14 anos), e que agora podemos deixar ir.
E você, já parou para revisitar esse seu setênio? Como você vivenciou ou tem vivenciado o mundo dos 21 aos 28 anos? Qual cor tem esse seu período? O que tem/tinha na sua mochila? Como a sua alma está mostrando a sua individualização no mundo?

Marcela Lempé Madruga
Psicóloga e Coach

Facilitadora do desenvolvimento humano, apaixonada por autoconhecimento e experiências que ampliem a consciência. Mais sobre mim: www.essenciadesenvolvimento.com.br / https://medium.com/@marcelalempe

Tema de Reflexão do Mês

Escolhemos um tema como base de reflexão que será iluminado por profissionais de diversas áreas segundo seu olhar e suas vivências. Colaborações e comentários são bem vindos!

Iniciativas Antroposóficas na ZN

Escola Waldorf Franscisco de Assis (11) 22310152 (11) 22317276 www.facebook.com/EscolaWaldorfFransciscoDeAssis

Projeto Médico Pedagógico e Social Sol Violeta (PMPSSV)

Casa da Antroposofia ZN Rua Guajurus, 222 Jardim São Paulo (11) 35699600