domingo, 29 de setembro de 2019

Fases entrelaçadas


Sob as leis biográficas pode-se reconhecer o desenrolar das etapas da vida e descobrir que  nossas vivências tem um significado, um propósito, no processo do nosso desenvolvimento.

E, à medida que vamos abordando cada setênio, podemos nos sentir como que integrando peças numa imagem mais ampla, como num quebra cabeça, constatando que cada parte é preciosa para revelar o todo. 

Ao chegar na fase entre os 49 e 56 anos, o oitavo setênio, podemos perceber que já fizemos uma boa caminhada e estamos um pouco mais adaptados às mudanças na nossa vitalidade.
E embora possamos fazer, em muitos momentos, uma avaliação da nossa jornada através de uma retrospectiva e realinhar nosso percurso, nesta etapa, é possível estarmos mais atentos à nossa voz interior, mais conectados com o que sentimos, porém, não tão identificados com nossas paixões, e por isso, extrair dali o extrato mais essencial das nossas experiências.
Nessa época, vale especialmente estarmos atentos à voz do nosso coração e atentar para que se os medos de outrora, aqueles que vem nos acompanhando há muito tempo, ou não, tem nos dificultado retribuir o calor e a beleza que recolhemos em tantos encontros.
Como seres sociais que somos, enquanto humanos, nosso sentido de pertencer é inerente. Queremos fazer parte. Estamos interligados, e queremos constantemente reconhecer como estamos, o quanto estamos. Seja no desejo de ser reconhecido pelo pai e pela mãe, e pela filha e pelo filho, pelo bom trabalho que realizamos, pela comida que acabamos de fazer, pela foto que postamos, pelo desejo de compartilhar fragmentos da nossa vida, e por aí afora, queremos fazer e mostrar que fazemos parte.
No segundo setênio, nos deparamos, intensamente, com o medo de não pertencer. Esse sentimento surge num período da vida em que, ao mesmo tempo em que nos despregamos da infância,  nos separamos mais do pai e da mãe, ganhamos mais autonomia, temos, também, receio de que não pertençamos mais, e surjam dúvidas sobre: 'como cheguei até aqui ?', 'será que eles são mesmo meus pais?', 'o que acontece quando a gente morre?'.
Esse fenômeno ocorre no mesmo momento em que nossa respiração e batimentos cardíacos se adequam a um novo ritmo, igual ao dos adultos, marcando o final da infância.
E se até aqui, para sobrevivermos, precisávamos essencialmente de cuidado e vínculo com um outro,  onde o outro deveria se empenhar e se responsabilizar por esse cuidado e vínculo, a partir dos 9 anos, nos tornamos mais conscientes da troca entre dentro e fora, com a respiração, e passamos a nos empenhar também em ir ao encontro do outro, nos tornarmos autores das trocas estabelecidas, pois elas já não chegam prontas para nós.
A vida pulsa, pulsa e pulsa e aqui estamos vivendo nosso amadurecimento, na fase adulta,  e podendo nos deparar com as mesmas questões, numa outra dimensão: 'como cheguei até aqui ?', 'o que acontece quando a gente morre?', 'como me movo na direção do outro?'.
Como nosso sentido de pertencimento está vibrando nesta fase dos 49 aos 56 anos?
Este é um período muito rico para revisar a capacidade de pertencer.
E, por desdobramento, podemos examinar o desenvolvimento das nossas relações e qual sustentação temos dado as nossas habilidades sociais, principalmente desabrochadas em torno dos 28-35 anos?
Quem são meus atuais amigos e companheiros de jornada ?
Qual é a rede de encontros em que me apoio?
Quais são os temas que me entretém ? O que eles despertam em mim?
Como contribuo com minhas experiências para aqueles que estão passando por fases de vida anteriores à minha?
O que tenho construído através dos meus relacionamentos?
Quais são as marcas que os relacionamentos tem deixado em mim?
Do que quero fazer parte?
Neste momento em que nossas forças vitais se desprendem mais um pouco e sensibilizam outros sentidos, com o novo ritmo que se imprime, a reconsideração do que foi feito pode levar a uma nova meta, a um novo desenvolvimento.
O que você espera de você nesta etapa da vida?

Olivia R S Gonzalez
Aconselhadora biográfica, terapeuta corporal e terapeuta floral. 

domingo, 22 de setembro de 2019

Fase da Sabedoria


Chegamos à fase da sabedoria, marcada pelo período dos 49 aos 56 anos, o 8º setênio. Nessa fase, a sabedoria proporciona maior harmonia interna para aqueles que vieram, desde os últimos setênios, cultivando seu autodesenvolvimento.
Não há mais necessidade de reagir a tudo o que vêm de fora e sim de agir decidindo onde colocar energia. Abre-se espaço para ouvir, silenciar e escolher o que responder, por que razão e para quê. Quando chegam as demandas externas, há um questionamento interno que diz:
“Preciso mesmo? Tenho condições de atender tais solicitações ou elas vão exigir demais de mim?”
É sábio escutar o outro e a si. Ouvir a voz interna é um ato de autocuidado, para que se possa estar inteiro, de corpo e alma, onde se propõe estar. Não é mais hora de forçar as coisas, por isso, nesse período, ouvir os próprios sentimentos e o que o corpo diz fica mais intenso e necessário.
A necessidade de cuidar dos ritmos se faz presente desde o setênio anterior e, no atual, sua importância fica ainda mais acentuada. O ritmo é o segredo da vida, traz um movimento harmônico e cadenciado a ela, substituindo a força.
É uma medida de saúde, bem-estar e vitalidade equilibrar a vida organizando a rotina de forma consciente e rítmica, de modo que se tenha tempo de qualidade para dormir, comer, trabalhar, descansar e cultivar o lazer.
Parece algo óbvio, mas com as pressões de prazos e entregas constantes, nós nos desconectamos do nosso tempo interno. E tal desconexão nos traz maior propensão ao estresse e ao adoecimento. Sendo assim, cultivar a cadência é uma forma de preservar a saúde física, mental, emocional e espiritual.
O fim do 8º setênio marca uma passagem para a aceitação de outro patamar da maturidade, que pode ser ainda mais rico. Vivencia-se também uma crise voltada ao cumprimento da jornada através do questionamento interno: “eu estou cumprindo minha missão?”.
Essa pergunta esteve viva em outras fases da vida, mas, no momento em questão, ela vem como se estivéssemos vivendo o nosso outono, por isso há necessidade de uma investigação interna, através de uma segunda pergunta:
“Quais galhos secos de minha árvore preciso cortar para que novos brotos possam surgir?”

Andressa Miiashiro
Psicóloga, facilito jornadas de desenvolvimento com foco em inteligência emocional e relacional, por meio do Psicodrama, Comunicação Não Violenta e Antroposofia. www.lotustalentos.com.br

domingo, 15 de setembro de 2019

Vamos Viver – O oitavo setênio no feminino



Quando eu estava próxima de completar cinquenta anos, entrando no oitavo setênio, confesso que experimentei uma insegurança em relação de como seria a vida a partir desta idade.
O declínio físico iniciado no setênio anterior irá se acentuar e, será que eu vou conseguir realizar tudo que ainda sinto vontade de fazer?
Este setênio é muito importante para nós mulheres porque inicia a menopausa, com todos os seus sintomas, mas também, quando a menstruação cessa por completo e nós sabemos que não podemos mais engravidar, nós nos sentimos mais livres, pois nossos filhos já são adultos e estão em busca dos seus caminhos no mundo.
A partir deste momento podemos realizar vontades e desejos que ficaram no nosso íntimo, como uma espécie de semente na incubadora, que neste momento estão prontos para germinar e dar frutos, agora as decisões são tomadas conscientemente e em prol de nós mesmos, e também para o mundo, ou melhor, para o social e espiritual.
Como o hormônio masculino fica mais evidente e nos dá mais força e objetividade, podemos aplicar essas condições em uma tarefa nova, algo que nos realize pessoalmente, conforme o Professor Lievegoed em seu livro Fases da Vida: “há também mulheres que atravessam a crise da menopausa com uma visão positiva da vida e, alegremente, acham que podem novamente agarrar toda a espécie de coisas e que podem, ao menos, perceber um novo aspecto de seu leitmotiv. Gratas pela fase passada, onde foram capazes de ser úteis a outros, agora elas encontram uma nova tarefa na vida social...”
Mas temos o lado negativo dessas condições também, nós podemos nos tornar tiranas e amargas, ficando nos vitimando por estarmos sozinhas e culpando os filhos por esse momento, colocando que dedicamos toda a nossa juventude cuidando deles, e agora não retribuem essa dedicação na medida em que esperamos, não enxergando que essa afirmação nos leva a um afastamento dos filhos, do marido ou companheiro e até amigos.
Temos que empregar todo potencial que se abre nesta fase para nós mesmos.
Uma vez, minha psicóloga uma vez me perguntou: O que você quer ser quando envelhecer? Confesso que essa pergunta me intrigou por muito tempo, e durante o setênio anterior e também agora que estou no oitavo setênio essa pergunta tem uma resposta clara, agora posso me dedicar á divulgação do Impulso Antroposófico para o mundo.
E essa pergunta deveria ser feitas a todas as pessoas que ingressam no sétimo setênio, dando a elas a oportunidade de se planejarem para essa fase posterior, pesquisando tanto em seu interior, como no mundo prático qual tarefa mais agrada, como por exemplo: jardinagem, retomar o aprendizado de um instrumento, trabalhos voluntários e etc. Porque a fase do oitavo setênio pode ser chamada a fase mais altruísta ou, como Dra. Gundrum em seu livro Tomar a vida nas próprias mãos: “Eu gostaria de denominá-la a“ a fase ético-moral””. “Nesta fase da vida, já não nos preocupamos tanto com o nosso destino, mas com o destino do outro; abrimo-nos mais para a humanidade.”
Até nos momentos atuais, uma importante marca de suplemento alimentar fez sua propaganda na televisão com essa pergunta “O que eu quero ser quando eu envelhecer?”, por isso nos dias de hoje, onde nós mulheres de cinquenta anos ao invés de nos sentirmos velhas ou desvalorizadas, devemos nos priorizar e buscar todos os dias novos objetivos, pois não é tarde para isso, temos muita vida ainda para ser vivida.
Outro aspecto importante para ser observado nesta fase da vida é, que nós podemos nos tornar “mães universais”, Rudolf Steiner colocou, falando sobre ensino, ”quem aprendeu a rezar, a ter devoção, veneração no segundo setênio, agora, nesta fase é capaz de dar a benção.”, então nós também podemos ser procuradas por pessoas mais jovens que querem conselhos e nosso lar ser acolhedor aos amigos dos filhos.
Temos nessa fase tudo de bom para seguirmos em frente, a maturidade adquirida durante os primeiros cinquenta anos nos auxiliam hoje para um agir dotado de maior segurança e consciência.
No final do oitavo setênio, por volta dos 55 e 56 anos temos além da passagem para o nono setênio, temos o 3º nodo lunar, uma janela se abre e nos mostra novamente a meta reencarnatória, e assim podemos experimentar uma crise, porque estamos nos direcionando para a velhice, e aí?
Se estivermos dispostos a conduzir essa nova fase, encarando a aproximação da velhice com bom humor, produzido a partir do nosso pensar, sentir e querer coerentes e  conscientes, com objetivos, esse momento pode ser muito rico e repleto de realizações.
Para essa fase do oitavo setênio tenho a história de Bia Kern, uma gaúcha que aos 54 anos, já realizada profissionalmente funda em Canoas no Rio Grande do Sul a ONG Mulheres em Construção, essa ONG capacita mulheres de todas as idades para trabalhar na construção civil e terem independência financeira; “ A fundadora da ONG diz que nada se compara à alegria nos olhos de uma mulher que descobre pela primeira vez a autonomia e a liberdade de ter a própria renda.”
Por isso, caros leitores, principalmente leitoras, não temos motivo para desanimar diante da nova fase, podemos fazer muitas coisas boas para o mundo, e naturalmente seguiremos em frente para a vinda dos netos e quem sabe bisnetos, e teremos muita paciência e vontade de ensiná-los e guiá-los na nova existência, como bem disse Professor Lievegoed em seu livro Fase da Vida: E com modéstia e élan ela seguramente irá mergulhar  numa nova tarefa como avó, criando para uma segunda geração um ambiente no qual esta possa sentir-se segura e aquecida, e onde possa ouvir histórias tão dotadas de vida como em nenhum outro lugar.
Diante de todo o tema exposto, eu só posso voltar ao título e dizer com todo o meu carinho Vamos Viver!
Para finalizar compartilho o poema de LUIS MAURICIO SANTOS em 1982
Tempos Modernos

Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia
Que insiste em nos rodear

Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa
Que isto valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não, não não

Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir

Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo o que há pra viver
Vamos nos permitir

Rita Paula Wey Nunes da Costa

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Autocompaixão como caminho do meio


Vejo a autocompaixão como um caminho a ser trilhado, que pode trazer muito mais leveza, bem-estar e saúde em todas as dimensões.
Até descobrir a autocompaixão, eu conhecia só um caminho, o da autocrítica. Você deve estar se perguntando: e isso não é bom? Muitos de nós aprendemos que essa capacidade de nos cobrar e de nos exigir é extremamente importante para sempre buscarmos nos aprimorar.
A questão é: qual é o tom dessa voz interna? Qual é a frequência que aparece em sua mente?
Parece que, algumas vezes, essa voz da autocrítica “perde um pouco a mão”. Grita ao invés de falar, usa palavras não tão boas, que chegam a machucar, e repete as mesmas coisas diariamente, como uma ruminação mental que não tem fim.   
Diante de algum erro ou um desafio, às vezes ou muitas vezes, essa voz interna diz:
“Você não está preparado (a)”, “você nem é tão bom assim”, “você nunca acerta”, “você é um fracassado (a)”.
Aparentemente, ela começa com boas intenções, apontando o que necessita ser aprimorado, mas o excesso de autocrítica pode ganhar um tom hostil, duro e repetitivo, criando medo, insegurança e muita frustração.
A autocompaixão, por sua vez, possibilita um equilíbrio, o caminho do meio!

Há o reconhecimento da falha, da fraqueza e da dor através de uma voz interna cuidadosa e gentil, que fortalece o cultivo da autoestima, uma vez que a relação consigo mesmo é estabelecida por meio de compreensão e respeito, e não mais de autocondenação. Dessa forma, o diálogo interno duro e cruel é substituído pelo acolhimento, que oferece espaço para ser compreensivo com o que está vivendo e pensar com mais clareza no que pode ser feito dali em diante.
A autocompaixão envolve três componentes importantes: a autobondade, o reconhecimento da experiência humana comum e a atenção plena.
A autobondade busca dissolver pensamentos depreciativos, que muitas vezes causam insegurança e frustração, a partir de uma relação mais saudável consigo. Não tem a ver com vitimização e sim autoempatia. Há a identificação do problema, mas sem que a pessoa se condene ou se maltrate.  
O reconhecimento da experiência humana comum nos traz à lembrança que “errar é humano” e que somos todos falíveis, o que permite abrirmo-nos à nossa própria vulnerabilidade e à do outro. Gerando, dessa forma, um senso de pertencimento e de conexão humana.  
Atenção plena é ter consciência da consciência. O estado de presença propicia a visão clara e a aceitação do que está ocorrendo no aqui e agora. Consiste em ver as coisas tal como são, nem mais, nem menos, a fim de agirmos frente às situações da vida de forma compassiva e, portanto, eficaz.
Enfim, a autocompaixão não nega o sofrimento e os erros. Reconhece-os com a devida clareza, sem negligenciá-los, tendo em vista que emoções suprimidas tendem a ficar mais fortes, mesmo que silenciosamente. Trata-se de um ato de autocuidado, que ajuda a lidar com sentimentos de imperfeição e inadequação por meio da gentileza, da compreensão e da não violência para consigo.
Sinto este texto de Kristin Neff como uma possibilidade de ouvirmos a nós mesmos, sentirmos o que sentimos e nos acolhermos:   
“Este é um momento de sofrimento.
O sofrimento faz parte da vida.
Posso ser gentil comigo agora.
Posso me oferecer a compaixão de que preciso”
Extraído do livro: “Autocompaixão: Pare de se torturar e deixe a insegurança para trás 
Andressa Miiashiro
Psicóloga, facilito jornadas de desenvolvimento com foco em inteligência emocional e relacional, por meio do Psicodrama, Comunicação Não Violenta e Antroposofia. www.lotustalentos.com.br

sábado, 24 de agosto de 2019

Meu bem, meu mal


Estamos chegando à época de Micael. E, nesse momento, somos levados a nos deparar com a reflexão sobre a luta com o dragão.

'Dragão é uma feliz imagem encontrada por Lex Bos para referir-se às ameaças' com as quais nos deparamos que nos impedem ou dificultam realizar o que é necessário.

Por isso mesmo, esta época nos convida a refletir mais sobre nossa coragem para enfrentar as batalhas internas e externas com o mal.
E o que podemos reconhecer como 'mal'?
Como diz uma velha máxima: o mal é o bem no lugar e hora inadequados. E, exemplificando: "imaginemos estarmos lidando com um excelente pianista e um excelente técnico de piano, ambos perfeitos a seu modo. (...) Se, porém, o técnico se pusesse a martelar na sala de concertos em lugar do pianista, estaria então no lugar errado. O Bem se converteria, assim, no Mal." (O Maniqueísmo, R.Steiner)
Por si só, essa, parece ser, uma maneira desafiadora de olhar para o mal.
Por isso trarei outros exemplos, como uma certa história em que um reino vivia ameaçado por um dragão que surgia de tempos em tempos. Como ele já era esperado e temido, trataram de construir abrigos para se proteger das labaredas, que no entanto, continuava  incendiando toda sua produção, impedindo-os de progredir. Surge, então, um valente cavaleiro disposto a acabar com o problema. E, entre as voltas que dá, ele consegue um acordo com o dragão, e a partir daquela data, ao invés de incendiar aleatoriamente, o dragão - que também tinha seus problemas -  focará suas labaredas no lixo do reino, que então vê duas questões solucionadas e depois disso o reino prosperou por muitos e muitos anos.
Além desse exemplo, vamos lidar com aquele conto que diz que um sábio, pede ao seu discípulo,  depois de visitar uma família pobre, que, parcamente, se mantinha  com a produção do leite de sua vaca, que a jogasse no precipício. Algum tempo depois o discípulo volta para verificar a situação da família e percebe que após a 'perda' da vaca, a família buscou novas alternativas e conquistou melhores condições de vida.
Quais são as perguntas que podem surgir dessas passagens sobre o 'mal' ?
Nossa jornada está repleta de desafios a serem transpostos, enfrentados e superados.
A luta entre o Bem e o Mal é uma história muito antiga e, para tornar mais leve, embora não menos profunda, podemos resgatá-la em vários contos, como os de fadas,  e através da leitura ou contação dessas histórias,  darmos a oportunidade para atuar sobre áreas sensíveis do nosso Ser, trazendo o fortalecimento interno, sutil e eficiente, para encarar essas batalhas e superá-las.
Embora nossa maior facilidade seja reconhecer o mal no outro, do lado de fora, nas injustiças que sofremos, para além de nós, não podemos fechar os olhos para aqueles dragões adormecidos no mais íntimo do nosso ser, que embotam nossos sentidos e percepções e sabotam nosso desenvolvimento.
Quando nos colocamos à mercê dos acontecimentos, 'se deus quiser', 'se tiver sorte', 'se o fulano mudar de ideia', 'se beltrana mudar seu ponto de vista', 'se cicrano não tivesse feito'... nos colocamos num lugar impotente, ou seja, sem a potência da transformação. Isso não quer dizer que temos condições de mudar o mundo, mas temos a potencia de transformar como ele chega até nós. Temos a possibilidade de extrair dessas vivências algo que nos fortaleça.
Não vamos fazer de conta que o mal não existe, que forças adversas são fáceis de lidar. E, por isso mesmo, precisamos de coragem para enfrentar esse assunto.
Como podemos fortalecer nossa coragem?
Aprender a lidar com o que há de sombrio em nós para que cada vez estejamos mais corajosos para enfrentar o externo talvez seja a construção que nos torne capaz de pensar o bem, sentir o bem e fazer o bem para criar um mundo com menos violência, menos intolerância, mais respeito, mais solidariedade, mais compaixão, mais amor. 
Afinal, todos ansiamos que essa centelha luminosa e calorosa do amor seja cada vez mais presente e próxima. E somos responsáveis pela criação dessa oportunidade. 

Olivia R S Gonzalez
aconselhadora biográfica, terapeuta corporal e terapeuta floral.

sábado, 10 de agosto de 2019

Despertar e o aqui-agora


O que é estar no aqui-agora?
Acredito que é estar em estado de presença, acolhendo o que o momento traz e se relacionando com o que está se apresentando naquele instante.
A questão, é que muitas vezes estamos de corpo no presente, mas respondendo ao mundo como se estivéssemos presos em emaranhados do passado ou com expectativas do futuro.
Podemos assim, deixar de contemplar novos caminhos, possibilidades não pensadas que estão se manifestando ali na nossa frente, mas que não conseguimos enxergar por estarmos com a mente e o coração em outro lugar.
Creio que o universo pode ser ainda mais criativo do que a gente mesmo. Ele pode nos surpreender trazendo novas formas, não necessariamente a que havíamos programado e imaginado, mas talvez de um outro jeito, que pode ser ainda mais encantador.
A vida nos oferece muitos presentes, se permitirmos, nos dá sinais, brinca conosco através das sincronicidades e vai nos dando pistas, dizendo: vá por ali!
Para trilhar junto com o fluxo da vida é precioso despertar a fé, intuição e a entrega, aprendendo a ouvir aquela voz interna, que não é necessariamente a da razão, dos padrões, e sim aquela que vai dizer o que é importante para a sua jornada, aquela que aquece o coração e alimenta a alma.
Assim o caminho vai se revelando durante a caminhada...
E quando aos poucos aceitamos a impermanência da vida, compreendendo que não temos controle de tudo ou quase nada, vamos despertando para o agora e para o sentir que mora no presente. Quando sentimos, agimos de dentro para fora, a partir da nossa sabedoria interna, despertando para o que é essencial, para o que toca o coração e Ser o que veio para Ser.
Convido, agora, a querida Tatiane Guedes para irmos finalizando a partilha de hoje.  
 “O chão que se vai é justamente aquele que precisa ruir, pois essa base não sustentará o crescimento que está por vir.
Essa rachadura que sentes bem no centro de seu peito é justamente aquela que fará brilhar a luz em ti que teima em sair.
Aceite,
O agora é tudo o que há.
Não resista,
Atravesse esse portal que está a chegar.
Confia,
Você não está só nem nunca estará.
Lembre-se,
Aquilo que Realmente És permanece intacto em ti a cada respirar."
Andressa Miiashiro
Psicóloga, facilito jornadas de desenvolvimento com foco em inteligência emocional e relacional, por meio do Psicodrama, Comunicação Não Violenta e Antroposofia. www.lotustalentos.com.br

domingo, 4 de agosto de 2019

Vamos despertar


Despertar, palavra que usamos normalmente para descrever o ato de acordar todas as manhãs, mas também podemos usá-la em muitos âmbitos das nossas vidas.
Podemos despertar para uma nova realidade, um amor, uma vocação, uma nova capacidade, uma vontade e em muitos momentos da vida.
Mas hoje, vamos falar do verdadeiro despertar interior nos seres humanos.
Hoje vivemos na época da alma da consciência, da plena liberdade, do livre arbítrio, de responsabilidades e consequências, mas ainda sim, muitos homens e mulheres ainda dormem para esta realidade atualmente, todos nós devemos fazer um trabalho interno, diário para esse despertar, não existe mais mestres ou gurus para nos guiarem como em épocas anteriores, e sim na nossa própria consciência desperta para estas vivências.
A Ciência Espiritual através da obra deixada por Rudolf Steiner nos auxilia a desenvolver esse despertar interior, temos que estudar as palestras, os exercícios propostos por ele, e colocá-los em prática na vida social, pois assim podemos principalmente ver o essencial no ser humano, e com isso desenvolver em nós uma nova ordem moral e ética na conduta da nossa vida diária.
Os anjos, hierarquia imediatamente superior ao homem, a fim de nos auxiliar com  esse despertar, permeia o nosso corpo astral com imagens do mundo espiritual, e também nos recorda da nossa missão de vida que nos propusemos entre a morte e o novo nascimento, e isso se dá durante o sono noturno.
Devemos também recordar diariamente que nós somos, na realidade, a imagem do Divino.
Através do trabalho diário com a Ciência Espiritual, ou com a prática de atos morais e éticos permeados de amor, nós iremos conseguir acessar estas imagens que foram permeadas pelos Anjos no nosso corpo astral durante o sono, no período de vigília, e enxergar o divino nas pessoas com as quais convivemos, e no futuro nós não vamos conseguir usufruir de felicidade se outros seres humanos forem infelizes, isto é, nós despertaremos para uma nova ordem social  a fraternidade correta.
Mas infelizmente muitos ainda dormem, mesmo estando acordados, pois fatos importantes da vida passam despercebidos, Rudolf Steiner coloca em sua obra O Anjo em nosso corpo astral   pág. 18 “ Já afirmei muitas vezes que os seres humanos, mesmo quando acordados, passam em sono os fatos mais importante da sua vida. Posso realmente assegurar-lhes – fato aliás, pouco reconfortante – que quem passa conscientemente pela vida encontra, hoje em dia muitas pessoas adormecidas.”
Os acontecimentos no mundo ou da nossa cidade ou de pessoas próximas simplesmente não nos tocam, e assim não nos preocupamos, e como consequência, não tomamos nenhuma atitude de interesse pelos outros, ainda que pequena, mas que mudemos algo no nosso entorno, e assim provocando em alguma medida, com relação, como já foi dito acima, do começo da fraternidade correta.
Ainda assim, o Anjo continua atuando no nosso corpo astral plasmando imagens, e aguardando esse despertar para a época da alma da consciência, pois cada indivíduo se encontra em um grau de evolução espiritual, portanto o despertar em todos nós é desenvolvido gradualmente e individualmente.
Diante de um mundo onde as ideias materialistas estão cada vez mais em evidência, parece difícil praticarmos tudo que a Ciência Espiritual nos convida a praticar, mas isto é uma ilusão colocada para nós, se todos os dias nós observarmos a nossa vida, veremos quanto está presente a atuação dos Anjos e do Mundo Espiritual.
A Antroposofia nos convida também a sermos pessoas vigilantes, à prática da observação dos pensamentos e sentimentos, a colocar em nossa vida bons propósitos, para assim adquirirmos a força necessária para esse despertar diário da consciência, para que nada que aconteça na nossa vida seja encarado como obra do acaso, como a Ciência Materialista prega, e vivido em total inconsciência, mas sim, esses acontecimentos são sempre uma atuação correta e direta das Hierarquias Espirituais no sentido de nos aproximar cada vez mais da evolução  de toda a humanidade.
Rudolf Steiner diz na mesma obra acima citada, em sua pág.33 –                              “Podemos começar com atitude de vigília, veremos que, se estivermos vigilantes, não passará um só dia sem que aconteça um milagre. Podemos inverter esta proposição, dizendo que, caso não aconteça um milagre em qualquer dia da nossa vida, será simplesmente porque o teremos perdido de vista.” Esta afirmação nos remete ao verdadeiro despertar para a época da alma da consciência, diariamente.
Busquemos o despertar da consciência diariamente, aquele despertar que nos é dado pela direção espiritual plena de sabedoria, vamos agir com coragem, para que esse despertar não se perca diante das vicissitudes da vida, temos que ter confiança diante de tudo que vier ao nosso encontro, pois sempre será para acordarmos cada vez mais para o Bom, o Belo e o Verdadeiro,  e principalmente e ter a certeza da presença do Mundo Espiritual em nossas vidas.
Era de São Michael
Isto é parte do que devemos aprender nessa época:
Saber viver com pura confiança sem qualquer segurança na existência, a não ser na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade nada terá valor se a coragem nos faltar.
Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites.
Rudolf Steiner

Rita Paula Wey Nunes da Costa

Tema de Reflexão do Mês

Escolhemos um tema como base de reflexão que será iluminado por profissionais de diversas áreas segundo seu olhar e suas vivências. Colaborações e comentários são bem vindos!

Iniciativas Antroposóficas na ZN

Escola Waldorf Franscisco de Assis (11) 22310152 (11) 22317276 www.facebook.com/EscolaWaldorfFransciscoDeAssis

Projeto Médico Pedagógico e Social Sol Violeta (PMPSSV)

Casa da Antroposofia ZN Rua Guajurus, 222 Jardim São Paulo (11) 35699600